“A paz é um verdadeiro respeito pelo que nos torna diferentes”: congresso europeu de catequese arranca em Itália
03 jun, 2026 - 10:10 • Olímpia Mairos
Cerca de 60 participantes de 17 países europeus reúnem-se em Corato, Itália, para refletir sobre o papel da catequese na construção da paz, da comunhão e da cultura do encontro, num congresso que assinala os 75 anos da Equipa Europeia de Catequese.
Arranca esta quarta-feira, em Corato, na região italiana da Apúlia, o Congresso da Equipa Europeia de Catequese (EEC), que reúne cerca de 60 participantes de 17 países europeus para refletir sobre o contributo da catequese na construção da paz, da comunhão e da cultura do encontro.
Sob o tema “Catequese para o encontro e a paz – Reunir as diferenças”, o encontro decorre até 8 de junho e assinala também os 75 anos da Equipa Europeia de Catequese. Responsáveis de catequese, investigadores universitários, catequetas e agentes pastorais vão partilhar experiências e desafios de diferentes realidades eclesiais europeias.
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Num contexto marcado por crescentes polarizações sociais e culturais, o presidente da Equipa Europeia de Catequese, padre Carl-Mario Sultana, sublinha a urgência de promover o diálogo entre povos e culturas.
“O nosso continente europeu precisa de se comprometer com a paz e com a cultura do encontro”, afirma o responsável, acrescentando que “a paz não significa apenas a ausência de guerras ou de diferenças, mas um verdadeiro respeito por aquilo que nos torna diferentes”.
O sacerdote maltês defende ainda que a diversidade não deve ser vista como uma ameaça, mas como uma oportunidade de enriquecimento mútuo. “O que desejamos promover não é a criação de clones no continente europeu, mas de pessoas capazes de se enriquecer mutuamente através das suas diferentes culturas”, sustenta.
A convivência das diferenças será precisamente um dos temas centrais da reflexão. Para Fernando Moita, diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), a própria experiência cristã mostra que a diversidade pode gerar comunhão.
“Há uma espécie de subtema que atravessa todo o congresso: o convívio das diferenças”, afirma. “Sabemos, pela revelação cristã, que a vida acontece na diferença, numa diferença que complementa e gera vida”, acrescenta. O responsável considera ainda que a missão da catequese passa por conduzir ao encontro com Jesus Cristo, “protótipo da paz” e referência para uma convivência verdadeiramente humana.
A dimensão sinodal do encontro é igualmente destacada pela irmã Arminda Faustino, coordenadora do Departamento de Catequese do SNEC, para quem a partilha entre diferentes países constitui uma riqueza para toda a Igreja.
“Nas diferenças, enriquecemo-nos mutuamente e caminhamos juntos na mesma Igreja de Jesus Cristo”, refere.
O congresso inclui a apresentação de experiências catequéticas oriundas de países como Finlândia, Portugal, Roménia, Áustria, França e Eslovénia, bem como trabalhos em grupos internacionais e multilíngues, favorecendo o diálogo intercultural.
Um dos momentos altos da iniciativa será a celebração do 75.º aniversário da Equipa Europeia de Catequese, marcada para 6 de junho, com testemunhos de responsáveis que ajudaram a construir a história da instituição ao longo de sete décadas e meia ao serviço da catequese na Europa.
A escolha de Corato e da região da Apúlia para acolher o congresso assume igualmente um significado simbólico. Trata-se da terra onde desenvolveu o seu ministério episcopal D. Tonino Bello, conhecido como "o bispo da paz e do encontro", cuja visão inspira muitos dos trabalhos deste encontro internacional.
Portugal participa com uma delegação de seis representantes, ligados à catequese e à formação teológica, que levarão ao encontro a experiência da Igreja portuguesa e regressarão com novos contributos para os desafios da evangelização no contexto europeu.
- Noticiário das 22h
- 13 jun, 2026








