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Catequese deve ser um “laboratório de paz” numa Europa marcada por divisões

05 jun, 2026 - 11:10 • Olímpia Mairos

Presidente da Equipa Europeia de Catequese alerta para o crescimento de discursos identitários e desafia a Igreja a promover o encontro, o diálogo e a convivência das diferenças.

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A catequese é chamada a desempenhar um papel decisivo na construção da paz e na promoção da cultura do encontro numa Europa cada vez mais marcada por conflitos, tensões identitárias e fragmentação social. A convicção foi expressa pelo padre Car-Mario Sultana, presidente da Equipa Europeia de Catequese, durante a sessão de abertura do congresso internacional que decorre em Corato, no sul de Itália.

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Perante cerca de 60 participantes oriundos de 17 países europeus, entre os quais vários representantes portugueses, o sacerdote maltês defendeu que a catequese não pode limitar-se à transmissão de conteúdos doutrinais, mas deve tornar-se “um laboratório de paz”, onde seja possível aprender a construir relações autênticas com Cristo e com os outros.

“O desafio da paz e do encontro nasce da tensão entre uma indiferença globalizada e um particularismo fragmentado”, afirmou. Segundo o responsável, esta realidade favorece o crescimento de uma “hermenêutica identitária”, que leva muitas pessoas a olhar para o próximo não como um dom, mas como uma ameaça.

Num congresso subordinado ao tema “Catequese para o encontro e para a paz. A convivialidade das diferenças”, o padre Car-Mario Sultana insistiu que a missão da catequese passa por criar espaços onde o diálogo seja possível e as diferenças possam ser acolhidas sem se transformarem em fatores de divisão.

Inspirando-se no pensamento profético de D. Tonino Bello, antigo bispo italiano conhecido pelo seu compromisso com a paz, o presidente da Equipa Europeia de Catequese recordou que a verdadeira paz não significa eliminar diferenças nem uniformizar identidades. Pelo contrário, explicou, consiste em viver a comunhão respeitando a singularidade de cada pessoa e de cada comunidade.

Durante a sua intervenção, identificou quatro grandes desafios para a catequese contemporânea: anunciar a verdade cristã respeitando a pluralidade cultural; promover a reconciliação na diversidade dentro da própria Igreja; aprender através do encontro com o outro; e educar para a paz como um estilo de vida e não apenas como ausência de conflito.

O sacerdote destacou ainda a importância da sinodalidade, da escuta e do acompanhamento pastoral, lembrando que “a verdade não é algo que o catequista possui”, mas antes Cristo, que continua a ir ao encontro da humanidade.

A conferência serviu também para assinalar os 75 anos da Equipa Europeia de Catequese, fundada em 1950 durante o Primeiro Congresso Catequístico Internacional, realizado em Roma. Car-Mario Sultana sublinhou que os desafios atuais são hoje mais complexos do que no passado.

“Depois de 75 anos, as diferenças na Europa já não são apenas nacionais, mas também culturais, seculares e digitais”, observou. Ainda assim, garantiu que a organização continua a encarar essa diversidade como uma riqueza: “A paz não é a ausência de debate, mas a presença do Espírito na nossa diversidade.”

A delegação portuguesa presente em Corato integra responsáveis nacionais e diocesanos da catequese, bem como representantes da Universidade Católica Portuguesa e do Secretariado Nacional da Educação Cristã.

Ao longo de seis dias, os participantes vão refletir sobre o contributo da catequese para a construção de comunidades capazes de promover o encontro, a comunhão e a paz, transformando as diferenças em oportunidades de enriquecimento mútuo.

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