Visita a Espanha
Papa Leão XIV diz que a segurança não vem "das armas" nem de "muros"
06 jun, 2026 - 12:18 • Aura Miguel , João Carlos Malta
Num discurso na Casa Real, o Papa enfatizou que com as novas tecnologias “exacerbam-se os preconceitos, enfraquece o pensamento crítico".
O Papa Leão XIV assinala no primeiro discurso da visita oficial de sete dias a Espanha a necessidade de combater as polarizações e todos os que pretendem dividir a sociedade. E alerta que a segurança não se alcança com a guerra, mas com a união dos povos.
“A tentação de ganhar popularidade atiçando o fogo das polarizações parece crescer, em vez de diminuir; a dignidade humana continua a ser violada”, durante um encontro com as autoridades, representantes da sociedade civil e os Reis.
Num discurso no Palácio Real, no Salão da Colunas, na manhã deste sábado, e celebrando a ligação daquele país com a fé católica, Leão XIV fala da “necessidade de cultura, interioridade, educação livre e de qualidade e de transcendência”.
Ainda sobre a questão da polarização, o Papa convida todos a “por amor à verdade, a abandonarem as narrativas divisórias e polarizadoras da vossa realidade social e da vossa história, a fim de que se passe das simplificações estéreis a uma apreciação fecunda da complexidade”.
Segundo o Santo Padre, e o presente que o Velho Continente pode oferecer ao mundo se quiser permanecer jovem é sentir que ainda “tem um futuro e uma missão que ainda o interpelam”.
Abordagens identitárias "povoam o mundo de fantasmas e inimigos”
Leão XIV pede ainda a fuga a abordagens identitárias “que parecem esclarecer tudo”, mas “que povoam o mundo de fantasmas e inimigos”.
E depois da encíclica Magnifica Humanitas, escreve agora que as novas tecnologias, “exacerbam-se os preconceitos, enfraquece o pensamento crítico e os interesses prepotentes semeiam impulsos de morte”.
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Isto porque converteram-se num ambiente artificial, “onde as nossas opções fundamentais são postas à prova”.
Para mudar este estado de coisas, o Papa pede a quem tem responsabilidades económicas, políticas e institucionais para “dar um salto qualitativo, uma mudança de rumo nos investimentos destinados à escola, à universidade e à investigação, às comunidades locais e à sociedade civil como sementeira de participação e mediação cultural”.
Segurança não vem de armas nem muros
Isto porque a segurança que, segundo o Papa, “pensamos, com demasiada frequência, provir das armas e dos muros – amadurece, pelo contrário, quando se aprende a avançar com o outro, a crescer juntos, ombro a ombro”.
E mais uma vez faz referência à história espanhola que diz serem a prova desta narrativa.
“A presença do Islão na Península Ibérica, por exemplo, constituiu uma realidade política, cultural e religiosa de longa duração. Durante esse período, não houve apenas confronto, mas tentou-se criar um espaço de relação, conversa e diálogo sobre o sentido da verdade entre cristãos, muçulmanos e judeus”
A terminar, o Papa agradece a Espanha que num contexto internacional tão conturbado, os espanhóis se mantenham fiéis “ao direito internacional” e “ao multilateralismo”, que se traduz “num compromisso ativo com a paz e a solidariedade entre os povos”.
Ao mesmo tempo, encoraja a cultivar o diálogo e a amizade social também internamente, "a ter em conta as perspetivas dos pobres e dos jovens ao imaginar o futuro", e pede para harmonizar as exigências de autonomia e de unidade, "e a impulsionar o processo de união europeia, não em oposição a outras potências, mas como um dom para toda a família humana”.
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