Encíclica "Magnifica humanitas"
“A IA está ao serviço do Homem e não o contrário”, diz patriarca de Lisboa
08 jun, 2026 - 20:46 • Ana Catarina André
D. Rui Valério considera que a encíclica do Papa Leão XIV "Magnifica humanitas" coloca o ser humano no centro do mundo. A apresentação do documento, esta segunda-feira, em Lisboa, contou com Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas e António Barreto como oradores.
O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, considera que a grande revolução da encíclica do Papa Leão XIV “Magnifica humanitas” é “colocar no centro do mundo o ser humano”. “O humano não apenas como protagonista da História, como construtor de aventuras e de factos, mas o humano na dimensão de debilidade, de fragilidade e na capacidade de Deus”, disse à Renascença, esta segunda-feira, na apresentação do documento, na Feira do Livro, em Lisboa.
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No evento que contou, também, com Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas e António Barreto como oradores, o bispo sublinhou que a Inteligência Artificial (IA) – tema principal desta encíclica – “deve ser um meio, sem nunca chegar a ser um fim em si mesmo”.
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“A IA está ao serviço do homem e não o contrário”, frisou, antes de afirmar, durante a apresentação, que a “Igreja, através do magistério do Papa, continua a ser farol capaz de orientar a humanidade”.
“A missão fundamental da Igreja é a de colaborar na salvação do ser humano”, sublinhou.
Marcelo alerta para “sociedades muito desenvolvidas” que não acompanham avanços da IA
No final, em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa disse que as estruturas políticas não estão a ser capazes de acompanhar o avanço tecnológico e afirmou que a IA “praticamente não existe” na legislação.
“Nem na organização administração, nem na educação, nem em muitos aspetos no domínio da solidariedade, da saúde, do trabalho. É assim em Portugal, na Europa e um pouco por todo o mundo. Estamos a falar de sociedades muito evoluídas que não estão a ser capazes de acompanhar este desafio”, afirmou o antigo Presidente da República.
Na sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa disse, ainda, que a “Magnifica humanitas” “é o pórtico de um pontificado”. “Nela encontramos referências, pistas para o trabalho, para a família, para a solidariedade social, para a situação internacional, para a situação das organizações internacionais. É um mundo de questões. É uma encíclica transversal que abre caminhos que outros documentos, nomeadamente papais, poderão vir a percorrer”, disse, enumerando os riscos associados à IA, atendendo ao seu “desenvolvimento aceleradíssimo” e a “um mundo em que os poderes não aceitam o diálogo fácil, a definição de regras em convergência”.
“É muito forte a tentação e o risco de nos descobrirmos destinatários daquilo que é a vontade de um número minúsculo de atores universais”, alertou o antigo chefe de Estado.
Com o presidente da Assembleia da República José Pedro Aguiar Branco e diversos ministros na plateia, entre os quais Paulo Rangel e Joaquim Miranda Sarmento, Paulo Portas defendeu que a encíclica mostra que Leão XIV é “um Papa da fé e da razão”.
“Ontem, [em Madrid, Espanha] gastou 10 minutos a explicar aos jovens que não podem prescindir da complexidade, porque muitas das questões importantes, podendo ter verdades simples, são muito complexas do ponto de vista da sua institucionalidade política”, recordou.
Núncio Apostólico destaca "discursos impressionantes" do Papa em Espanha
Quem também assistiu à apresentação foi o Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, que, no final em declarações à Renascença, sublinhou que a nova encíclica “é um serviço à humanidade”.
“Conhecendo bem o Papa, desde jovem (fomos colegas de turma), aqui percebe-se o matemático. Ele conhece bem o que é um algoritmo. Nós não sabemos. Depois, estuda filosofia, teologia. É agostiniano – tem a profundidade da vida de Santo Agostinho. Conhece o direito. Tudo isso junto, com a experiência de pastor como Superior dos Agostinianos, a nível mundial, e depois como bispo em Chiclayo,[ no Peru] e como cardeal, dá-lhe uma perspetiva mundial tão grande e importante que pode colocar estes temas diante do todo o mundo”.
O bispo de nacionalidade espanhola destacou, ainda, a receção que o Papa Leão tem tido na viagem apostólica a Espanha. “Tem tido discursos impressionantes. No parlamento espanhol que está fragmentadíssimo – é um dos mais fragmentados do mundo – todos os deputados, senadores estiveram, em pé, a aplaudi-lo durante dez minutos e isso não é normal. As pessoas estão a perceber que o Papa é alguém que tem coisas a dizer e que vale a pena escutá-lo.”
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