Moçambique
Bispos moçambicanos repudiam assassinato do bispo de Quelimane e pedem ação às autoridades
09 jun, 2026 - 12:56 • Henrique Cunha
A Conferência Episcopal de Moçambique diz tratar-se de “um crime, vil e cobarde”. Na sua nota pastoral, os bispos aludem também à violência, que “tem vindo a alastrar-se no país”.
A nota pastoral dos bispos católicos de Moçambique, enviada à Renascença tem como título: “Os justos resplendecerão como a luz do firmamento e aqueles que tiverem guiado as multidões no caminho da justiça, brilharão como estrelas, pelos séculos sem fim.”
Em 10 pontos, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) começa por manifestar profunda consternação pela morte de D. Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane e falam do “crime, vil e cobarde, que ocorreu na residência episcopal, com recurso a arma de fogo”.
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Os bispos dizem que “a violência, que tem vindo a alastrar-se no país, teve agora como alvo um homem de fé e missão”, e fere não apenas a comunidade eclesial católica, mas “toda a nação moçambicana, que nele reconhecia um servidor incansável da dignidade humana e do bem comum”. “Este anto hediondo não é apenas uma agressão contra uma pessoa, mas uma ferida profunda e atroz infligida no coração da Igreja e na consciência moral do país”, afirmam. “Tirar a vida humana é sempre um crime gravíssimo; atentar contra um bispo, enviado pela Santa Sé para servir o povo de Deus torna esta realidade ainda mais ultrajante”, acrescentam.
Religião
Moçambique. Bispo de Quelimane assassinado a tiro no Paço Episcopal
Bispo há menos de um ano, D. Osório Citora Afonso (...)
A CEM afirma que “a violência contra um bispo é um golpe contra a unidade e contra a própria consciência moral da sociedade”. Os bispos católicos de Moçambique repudiam “com a máxima veemência este crime abominável”, e defendem que “este atentado não pode ser tratado como mais um episódio de violência”. “É um golpe contra a dignidade humana, contra a missão da Igreja e contra a confiança que o povo deposita nas instituições que têm o dever de proteger a vida”, reforçam.
Os bispos pedem às autoridades para que “assumam com responsabilidade e coragem, a tarefa de esclarecer com rigor e celeridade as circunstâncias deste crime, identificando e responsabilizando os seus autores morais e materiais, quem quer que seja”.
A nota sublinha que “é dever indeclinável do Estado garantir a segurança publica e privada dos cidadãos” e assinalam que “a vida não pode ser relativizada nem banalizada”.
Os bispos terminam o seu texto agradecendo “as inúmeras manifestações de solidariedade e mensagens de condolências” e destacam “os gestos de proximidade que têm sido dirigidos nestes dias pelo Santo padre, irmãos bispos de outros episcopados, instituições do Estado, organizações da sociedade civil e por tantas pessoas de boa vontade, dentro e fora do país”.
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