As perguntas de Renzo a Leão XIV: “Gostas de futebol? Quando eras pequeno querias ser Papa?"
10 jun, 2026 - 16:51 • Aura Miguel
"Cada criança é um sonho de Deus. Tu também o és", disse o Papa à criança que lhe fez perguntas inesperadas.
“Perdoar significa não deixar que o ódio se apodere dos nossos corações”, disse o Papa esta tarde, na Igreja de Santo Agostinho, num encontro com agentes ligados à assistência social da Igreja, como a Caritas paroquiais e outras instituições. Em jeito familiar, Leão XIV disse “aqui, convosco, sinto-me em casa: é a Igreja de Santo Agostinho”.
Depois de ouvir diversos testemunhos e retratos de duras realidades da pobreza, tráfico humano e outros tipos de exclusão, Leão XIV lembrou que “a dignidade inalienável de cada ser humano não depende das suas capacidades, da riqueza que acumula ou do papel que desempenha, mas do dom que os precede e transcende, concedido por Deus como expressão do seu amor infalível”.
Para os casos mais difíceis deixou uma recomendação: “Jesus pede-nos que perdoemos porque é o único caminho para experimentar a paz de Deus e curar as feridas espirituais. Ao perdoarmos, imitamos o exemplo de Jesus, que perdoou aqueles que o crucificaram. A nossa disponibilidade para perdoar é condição para o perdão que recebemos de Deus”.
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Inesperadas foram as perguntas que Renzo, um rapaz de seis anos, fez ao pontífice, entre elas, se gosta de futebol e se queria ser Papa quando era pequeno. Leão XIV sorriu e respondeu que, em novo, preferia jogar futebol americano, “um pouco mais violento” e que, mais tarde, já missionário, chegou a jogar futebol “à defesa, porque não era grande goleador”.
Leão XIV valorizou o desporto, porque ajuda a crescer de modo saudável no corpo e na mente, mas tem de ser jogado em equipa. “Quem não sabe passar a bola, mesmo que tenha talento, ainda não percebeu o jogo. E quem não sabe viver com os outros e para os outros ainda não compreendeu a vida”, concluiu. E, dirigindo-se ao miúdo, acrescentou: “Perguntas-me se eu queria ser Papa quando era pequeno. Renzo, acho que não, nunca pensei nisso. Mas posso dizer-te uma coisa: desde jovem que senti o desejo de dedicar a minha vida a Deus”.
Prevost recordou que, apesar de não saber exatamente para onde o Senhor o chamava, com o tempo, descobriu que seria sacerdote na Ordem de Santo Agostinho. “Mas isto não se aplica só a mim. Cada criança é um sonho de Deus. Tu também o és. Deus deseja a felicidade de todos e quer que nós, desde a infância e ao longo da nossa vida, tenhamos um coração como o de uma criança, capaz de confiar e cheio de bondade. Ele quer que sejamos seus amigos e não nos afastemos d’Ele”, frisou.
“Por isso, mais importante do que perguntarmo-nos se seremos padres, médicos, professores, pais de família ou outra coisa qualquer, é perguntarmo-nos se queremos ser amigos de Jesus. Porque a amizade com Jesus dá-nos alegria, liberta-nos e ajuda-nos a ver, passo a passo, a vocação e o caminho que Deus planeou para cada um de nós”, acrescentou.
Ao final desta quarta-feira, Leão XIV celebra missa na basílica da Sagrada Família e depois inaugura a Torre de Jesus Cristo, a última e mais alta torre que faltava para completar a monumental obra do arquiteto António Gaudí que morreu há exatamente 100 anos.
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