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Leão XIV: “A Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo para guiar os passos do povo de Deus”

10 jun, 2026 - 20:00 • Aura Miguel

Leão XIV celebrou missa na Basílica da Sagrada Família e inaugurou a torre de Jesus Cristo (com mais de 172 metros de altura). Em homenagem a Gaudí e ao centenário da morte do Venerável arquiteto, o Papa lembrou que “nesta era da imagem é ainda mais evidente como a arte e a beleza são canais eminentes de evangelização”.

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Muito mais do que um monumento, a Basílica da Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus”, sublinhou Leão XIV na homilia desta quarta-feira, durante a missa que celebrou precisamente num dos locais mais emblemáticos de Barcelona.

A construção da basílica começou em 1882 e a sua última torre foi inaugurada esta quarta-feira pelo Sumo Pontífice. A torre de Jesus Cristo tem 172,5 metros de altura e passa a ser o ponto mais alto da Sagrada Família.

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“Demonstremos que a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho”, indicou o Papa.

A Basílica da Sagrada Família tem 18 torres, destacando-se quatro: a dos Apóstolos, a dos Evangelistas, a da Virgem Maria e, agora, a de Jesus Cristo. No topo da torre de Jesus passa a estar colocada uma grande cruz tridimensional, com quatro braços em vidro e 15 mil peças de cerâmica branca esmaltada. Foi concebida para brilhar durante o dia, com a luz do sol, e de noite, com jogos de luz projetados a partir das outras torres, como desejava o arquiteto original, Antoni Gaudí.

Antes de ser erguida, a cruz foi apresentada ao Papa, ladeado na ocasião pelos reis de Espanha, durante vários minutos por uma jovem adolescente cega, num momento verdadeiramente impressionante, através do tato.

“Ao admirar a torre de Jesus Cristo, elevamos o olhar para Ele, para Aquele que nos revela apenas a verdade de Deus e a verdade de nós mesmos. Olhando para Cristo, podemos ver o mundo com olhos renovados: a torre da Cruz transforma-se então em estandarte da caridade, porque Deus nos ama assim, transformando um instrumento de morte num sinal de esperança (...) Esta cruz brilha de dia, refletindo a luz do sol, e brilha de noite, iluminando a cidade como um farol aberto para o Mediterrâneo”, explicou o Papa neste antepenúltimo dia de viagem em Espanha.

Sobre o homem responsável pela projeção deste local de culto, Leão XIV dedicou também parte das palavras deste final de tarde.

“Criado à Sua imagem, o homem responde à obra de Deus com a sua própria criatividade: é assim que o artista converte o talento em louvor e a criatividade em testemunho do próprio Criador. Como arquiteto ardente de fé, o Venerável Antoni Gaudí concebeu estes espaços com o desejo de narrar os mistérios da vida do Senhor: assim, propôs uma peregrinação espiritual, que conduz ao encontro com Cristo nascido, morto e ressuscitado por nós”, afirmou Leão XIV.

O Papa acrescentou que, neste centenário da morte de Gaudí, recorda e agradece todos os promotores e benfeitores, artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese feita de pedras, cores e luz. Referiu ainda que, numa era marcada pela imagem, a arte e a beleza continuam a ser canais privilegiados de evangelização.

Leão XIV lembrou também o problema das guerras no mundo: “Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria.”

A Sagrada Família, declarada património da humanidade pela Unesco em 2005, é o maior cartão de visita de Barcelona, agora reforçado com a inauguração desta última torre benzida por Leão XIV. Em novembro de 1982, passou também por este local João Paulo II e, em novembro de 2010, Bento XVI presidiu à consagração da igreja.

A festa desta quarta-feira coincidiu com o centenário da morte de Gaudí, que acompanhou estes trabalhos durante 43 anos. A sua sepultura encontra-se na cripta da Basílica, onde Leão XIV se deslocou para rezar antes de presidir à Santa Missa.

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