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“Os sacerdotes não são super-heróis”: Igreja pede oração pela humanidade dos padres

11 jun, 2026 - 09:50 • Olímpia Mairos

Mensagem para o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes recorda que os padres são “vasos de argila” chamados a revelar o rosto de Cristo no mundo.

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A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM) assinala o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, celebrado a 12 de junho, com uma nota pastoral intitulada “Sacerdotes de Humanidade”, na qual convida toda a Igreja a rezar pelos sacerdotes, de modo particular pela sua dimensão humana.

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Na mensagem, assinada por D. Vitorino José Pereira Soares, presidente da CEVM, recorda-se que a solenidade do Sagrado Coração de Jesus está tradicionalmente ligada à santificação dos sacerdotes. Neste contexto, o responsável episcopal sublinha que a oração deste ano é dirigida de forma especial à humanidade daqueles que exercem o ministério ordenado.

Estamos todos convidados a rezar pelos sacerdotes, mas especialmente pela sua humanidade”, escreve D. Vitorino Soares, numa reflexão que procura aproximar os fiéis da realidade concreta dos seus pastores.

A nota rejeita qualquer visão idealizada do sacerdócio e recorda que os padres partilham a mesma condição humana de todos os homens. “Humanos como todos e não super-humanos como ninguém”, afirma o texto, acrescentando que os sacerdotes são também frágeis e limitados. Contudo, essa fragilidade não diminui a sua missão; pelo contrário, torna-se espaço privilegiado para a manifestação da graça divina, uma vez que são “‘vasos de argila’, mas instrumentos da Graça, sinais de um ‘tesouro’ que transportam”.

Segundo o presidente da CEVM, esta humanidade deve ser continuamente cultivada e protegida, para que o sacerdote possa viver o seu ministério com autenticidade, longe de interesses pessoais ou da procura de protagonismo. A missão do padre, refere, consiste em apontar sempre para Cristo, o “Sacerdote Único”, e não para si mesmo.

Neste sentido, a nota recupera uma reflexão de Bento XVI, segundo a qual “Deus é a única riqueza que, de modo definitivo, os homens desejam encontrar num sacerdote”. A partir desta afirmação, D. Vitorino Soares lembra que a credibilidade do ministério sacerdotal não depende da visibilidade ou do reconhecimento social, mas da fidelidade ao dom recebido. Por isso, acrescenta, “no meio das fragilidades, é o dom sacerdotal que brilha e que nunca pode ser ofuscado pelo protagonismo ou pelo palco dos atores”.

A mensagem destaca ainda que cuidar da humanidade dos sacerdotes não é um aspeto secundário da vida eclesial. Pelo contrário, trata-se de uma condição essencial para que possam ser sinal transparente da presença de Cristo no mundo. Como refere o texto, “cuidar da humanidade, manter a humanidade, como ‘transparência’ do rosto de Jesus e não o invólucro que o esconde” é uma exigência fundamental para que o Evangelho continue a chegar a todos.

Na conclusão da nota pastoral, o presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios formula uma oração pelos sacerdotes, pedindo que o Coração de Jesus os fortaleça na sua vocação e missão. O desejo expresso é que cada padre seja capaz de gerar relações mais humanas e fraternas, alicerçadas em Cristo, para que, como escreve, “a humanidade crie humanidades” e conduza todos ao encontro do “Único mediador de Deus, que é Jesus, Sacerdote”.

O Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes é celebrado anualmente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus e constitui um convite à oração pelos ministros ordenados, para que vivam a sua vocação com fidelidade, proximidade e espírito de serviço.

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