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Peregrinação a Fátima

Bispo da Guarda: "A força transformadora não é a força das armas"

12 jun, 2026 - 23:29 • Henrique Cunha

D. José Miguel Pereira, que preside à Peregrinação de junho ao Santuário de Fátima, lembra que “o Senhor não se deixa manipular” e “não se deixa comprar por interesses pessoais ou de grupos. O bispo da Guarda pediu orações "pela irradicação dos compadrios e da sobreposição do bem de alguns sobre o bem comum".

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O bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira garante que “a força transformadora capaz de mover as vontades na procura do bem comum não é a força das armas, do abuso de poder, das teias secretas de influência, dos «chicos-espertos» que sabem «passar a perna»”.

“Como pede o Papa Leão XIV e suplicamos com insistência desde aqui, neste altar da Cova da Iria, precisamos de uma paz desarmada e desarmante, de um diálogo franco e ponderado, de colocar o bem comum e o cuidado do maís frágil e vulnerável no centro dos nossos esforços de desenvolvimento”, sublinhou.

Na sua homília esta noite de 12 de junho, durante a Celebração da Palavra, e perante cerca de 3400 peregrinos, o bispo da Guarda começou por lembrar que “só Jesus, Deus feito homem, é o Mediador da Salvação” e que Nossa Senhora “é o colo que nos acolhe e apresenta diante de Deus”. “Nossa Senhora ensina-nos a desconstruir as falsas ideias de Deus; a Mãe ensina-nos o rosto do Pai”.

D. José Miguel Pereira sugeriu que “no regaço da Mãe de Jesus nunca estamos sós”, e “descobrimos que “este Pai é bom; sempre bom”, mesmo quando “por incapacidade nossa, não reconhecemos o bem de Deus ou O acusamos de males de que não é responsável”.

Depois acrescentou que “a mediação de Nossa Senhora realiza-se também no modo como nos ensina a escutar a Palavra de Deus, a reconhecer a sua vontade”, e que a Mãe de Jesus “ensina-nos que podemos confiar sempre”.

Contudo, o bispo da Guarda deixou o alerta de que “para acolhermos esta mediação de Nossa Senhora, precisamos de reconhecer a Igreja como esse grupo de serventes que procuram abraçar o que Jesus disser, mesmo quando Ele surpreenda nas suas indicações ou estas não correspondam ao que parecia mais adequado”.

“E precisamos de aceitar que a vida renovada pelo vinho bom da fé não se vive individualmente, mas se recebe da Igreja, se constrói em Igreja”, acrescentou.

O bispo terminou a sua homília com o pedido para que “confiemos à Mãe, para que apresente ao Pai, os nossos pedidos pela paz desarmada e desarmante, pela irradicação dos compadrios e da sobreposição do bem de alguns sobre o bem comum, pela atenção preferencial pelos mais frágeis e vulneráveis, pela transformação missionária e sinodal da pastoral da Igreja, e pela nossa conversão a uma fé sobrenatural mais adulta e em Igreja”.

De acordo com os serviços do Santuário de Fátima, estiveram esta noite no recinto do Santuário cerca de 8 mil pessoas, numa celebração que contou com 38 sacerdotes, 2 bispos e um cardeal. Até ao final do dia 11 de junho estavam inscritos para esta Peregrinação de junho 75 grupos de peregrinos de 17 países, além de Portugal.

Entre os países com mais peregrinos estão a Polónia com 903; a Espanha com 652 e os Estados Unidos com 154.


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