Prestação Social Única
Manuel Lemos concorda com "trabalho social", mas contesta a sua denominação
12 jun, 2026 - 06:30 • Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
Jovens com deficiência a trabalhar? "Entendo isso no plano da terapia”, diz o presidente da União das Misericórdias em entrevista à Renascença e à Agência Ecclesia.
O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos, garante que aquilo que o Governo designa como "trabalho social não é trabalho".
Em causa está a medida do Governo vai juntar 13 subsídios e apoios sociais num só, a Prestação Social Única, e que começa a ser discutida no Parlamento esta sexta-feira.
"Isto não é trabalho, porque se fosse trabalho tínhamos de falar com os sindicatos e colocar a questão nesse plano", começa por explicar Manuel Lemos, em entrevista à Renascença e à Agência Ecclesia.
De acordo com Manuel Lemos, "trabalho social é o que os trabalhadores das instituições sociais e das instituições da economia social fazem”. Por isso, contesta a designação, que é "mal feita", de "trabalho social" para o caso dos beneficiários da Prestação Social Única.
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Nesta entrevista à Renascença e à Agência Ecclesia, que será publicada, na integra, no domingo, o presidente da UMP defende que "se estivéssemos a falar de trabalho naturalmente teríamos de conversar com os sindicatos, com outras organizações e teríamos de colocar a questão nesse plano”.
“Outra coisa é aproveitar a possibilidade de as pessoas que por, qualquer razão, não estão no trabalho desenvolverem atividades no sentido de ajudar as instituições, nomeadamente as do setor social”, acrescenta.
Jovens com deficiência a trabalhar? "Entendo isso no plano da terapia”
Nesta entrevista, Manuel Lemos admite a eventual obrigação de jovens deficientes ou com cancro a trabalhar, e diz ver essa situação como uma “espécie de terapia”.
É nessa perspetiva que o presidente da UMP entende “esse trabalho de jovens com deficiência”. “Entendo isso no plano da terapia”, reforça.
E é neste contexto, em que ainda não é conhecido o montante da Prestação Social Única, que Manuel Lemos diz que não se pode definir o seu valor com base, por exemplo no salário mínimo nacional, “porque se formos para o plano do trabalho, então temos de fazer naturalmente uma proporcionalidade em relação às horas e àquilo que as pessoas auferem”.
Perante as dúvidas que a proposta ainda levanta, o responsável manifesta o receio de que se possa estar a desvirtuar "uma boa medida".
Manuel Lemos considera "o princípio virtuoso", mas admite que se possa estar a estragar "uma ideia, que em si mesma, é virtuosa".
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