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Peregrinação Fátima

Bispo da Guarda critica "as sociedades que tendem a humanizar animais” e apela à dimensão espiritual

13 jun, 2026 - 10:04 • Henrique Cunha

“Num tempo de comunicação mediática”, que potencia "perceções sem adesão à realidade", D. José Miguel Pereira garante que o homem “não se realiza apenas com razão e inteligência artificial”. Na homília da Missa da Peregrinação Internacional Aniversária de junho, o bispo sublinhou a importância de “não deixar endurecer o coração”.

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O bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira, disse este sábado em Fátima que “quem descuida a vida espiritual pode deixar endurecer o coração”.

O bispo que presidiu à Peregrinação Internacional Aniversária de Junho iniciou a sua reflexão partindo da expressão de que Maria “guardava todos os acontecimentos no seu coração” para aprofundar a sua meditação sobre a importância do coração na vida dos homens, porque “ter coração é sinal de humanidade”.

O prelado alertou para estes tempos “em que a comunicação mediática e digital potenciam perceções sem adesão à realidade e acusações sem ter de se confrontar com o rosto e o toque do outro”, garantindo que “a Mãe do Céu ensina-nos como ter coração para saber lidar com os acontecimentos e, sobretudo, com os nossos semelhantes”.

"Ter coração é ter lugar onde os acontecimentos possam ressoar em profundidade”, disse D. José Miguel, acrescentando que “isso pressupõe cultivar a ressonância do coração, alimentar a vida espiritual e aprofundar a vida interior”.

“Assim como é necessário cuidar da saúde do corpo e da mente, para ter coração também é necessário desenvolver a vida espiritual”, lembrou.

De seguida, o bispo da Guarda falou das nossas sociedade que “tendem a humanizar não só os animais, especialmente os de estimação com os quais estabelecemos relações de afeto, mas também os dispositivos e as máquinas, a partir da aplicação da Inteligência Artificial à comunicação digital, à biotecnologia e à robótica” e que nos podem fazer esquecer que “só nós, seres humanos, temos coração, no sentido usado por Nossa Senhora: esse lugar onde o espírito encontra a luz de sentido dos acontecimentos e da vida”.

O bispo adverte que “quem descuida a vida espiritual pode deixar endurecer o coração” e que a “pessoa humana não se encontra nem se realiza apenas com razão e inteligência artificial”.

“Precisa de alimentar a sua vida espiritual”, reforçou.

Numa homília salpicada por algumas referências aos acontecimentos de há 109 anos, D. José Miguel Pereira conclui a sua reflexão reforçando a convicção de que “diante das contradições e conflitos deste nosso tempo”, é ainda “o Coração Imaculado de Maria a ensinar-nos o caminho do amor empenhado e diligente”, que “faz de nós discípulos missionários, com coração, ao serviço da justificação que dá a vida”.

De acordo com os serviços do Santuário de Fátima, a celebração contou com um cardeal, D. António Marto, 4 bispos, entre eles o de Leiria-Fátima, D. José Orenalas, 52 sacerdotes, 4 diáconos e 15 mil participantes.

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  • António Manuel Rodrigues de Carvalho
    14 jun, 2026 Lousã 08:56
    Aparentemente, falamos de um Deus diferente. O Deus em que acredito ama toda a Sua criação. Aparentemente, o Deus em que este senhor acredita cria animais dotados de capacidade de sentir quase idêntica à nossa, mas odeia o que criou, pois aceita o inferno terreno que nós, os humanos, criámos para eles. É um pensamento especista, que discrimina o amor de Deus.

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