Vaticano
Papa pede aos netos que retomem "o bom hábito de visitar os avós"
15 jun, 2026 - 17:05 • Redação com Agência Ecclesia
Num tempo de violência, "bélica e social", o Papa recorda os idosos que são abandonados pela família, na sua mensagem para o Dia Mundial dos Avós.
“Muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a migrar ou, nalguns casos, a combater na guerra.” Foi com uma mensagem a alertar para a solidão dos mais velhos que o Papa assinalou, esta segunda-feira, o Dia dos Avós e dos Idosos. Leão XIV pediu aos netos que a data "seja um estímulo para todos, em particular para os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós".
Além disso, o Papa recordou que se vive hoje um clima de indiferença e violência, tanto nas famílias como nas sociedades, que atira muitos idosos para a solidão por serem olhados como um fardo.
“A Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo”, adverte Leão XIV, na mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. O texto foi divulgado pela sala de imprensa do Vaticano.
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Papa alerta para solidão dos mais velhos
“Muitos questionam-se sobre como será o mundo em que crescerão os próprios netos. Exorto-vos, caríssimos, para que vos unais comigo numa incessante oração para que a paz chegue em breve a todo o mundo”, apela o pontífice.
A mensagem aponta o dedo às dinâmicas sociais contemporâneas, que isolam os cidadãos em instituições de acolhimento, e a uma “economia centrada no lucro”, que enfraquece os laços familiares. “Muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a migrar ou, nalguns casos, a combater na guerra”, acrescenta Leão XIV.
"A dolorosa sensação de ser esquecido"
O Papa assinala que, no final da vida, “cada pessoa corre o risco de ser reduzida ao número da sua cama ou à sua patologia”.
“A dolorosa sensação de ser esquecido é, infelizmente, comum a muitas pessoas e, entre elas, não poucas são idosas”, lamenta.
A mensagem avalia a insuficiência das plataformas tecnológicas para colmatar a solidão diária, socorrendo-se do recente ensinamento da encíclica Magnifica Humanitas. “A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade”, sustenta o pontífice.
"Não tenhais medo da fragilidade!"
A reflexão sublinha o potencial transformador inerente à etapa final da vida humana, encorajando os crentes a rejeitarem os receios perante o envelhecimento.
“Sinto-me no dever de vos dizer: não tenhais medo da fragilidade! É justamente esta fraqueza que esconde em si uma nova potencialidade que ilumina também as outras idades da vida”, apela Leão XIV.
O texto realça que é possível chegar à velhice sem ter tido uma “verdadeira experiência de fé”.
“A idade avançada, a partir das questões que nesta fase da vida se colocam com maior premência, pode tornar-se o momento oportuno para iniciar ou retomar a vida espiritual”, indica o Papa.
O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos foi instituído no pontificado de Francisco e decorre anualmente no quarto domingo de julho (dia 26, este ano), com o tema "Eu nunca te esquecerei".
“Que este dia seja um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita”, recomenda Leão XIV.
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