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Moçambique

“Contra esquecimento e indiferença”, Comissões Justiça e Paz insistem no alerta contra terrorismo em Cabo Delgado

07 jul, 2026 - 15:40 • Henrique Cunha

A Comissão Nacional Justiça e Paz, juntamente com a Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos e mais doze Comissões Diocesanas emitem nota para chamar a atenção da comunidade portuguesa para os efeitos do terrorismo em Cabo Delgado.

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A Comissão Nacional Justiça e Paz, doze Comissões Diocesanas e a Comissão Justiça, paz e Ecologia dos Institutos Religiosos mostram-se preocupadas com “a dramática situação que, desde há quase dez anos, continua a vitimar a população de Cabo Delgado”. Estes organismos da Igreja Católica “querem chamar a atenção de toda a sociedade portuguesa”, porque não querem que “essa situação caia no esquecimento ou na indiferença, ou que a ela nos resignemos, como se de uma inevitável fatalidade se tratasse”.

A nota enviada à Renascença, em que denunciam “a ideologia radical que invoca o islamismo e que atinge em particular os cristãos” e que é responsável por “mais de um milhão de pessoas deslocadas e mais de seis mil mortas, muitas delas assassinadas por decapitação”, surge “depois de conhecerem um muito completo relato da situação da parte de D. António Juliasse, bispo de Pemba”.

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Os subscritores contabilizam cerca de 120 igrejas e capelas destruídas, e dizem que tudo isto decorre de uma “ideologia radical que invoca o islamismo e que atinge em particular os cristãos”.

“Por detrás destas ações terroristas está uma ideologia radical. Essa ideologia atrai adolescentes e jovens, que rompem tradições familiares e que se deparam com a ausência de perspetivas de futuro em contextos de pobreza e desemprego”, assinala a nota.

“Para contrariar a influência dessa ideologia, são da maior importância o diálogo e a colaboração entre diferentes comunidades religiosas, incluindo as comunidades muçulmanas que a rejeitam como deturpação do Islão”, acrescenta.

As Comissões Justiça e Paz garantem que “a população de Cabo Delgado pouco tem beneficiado com os investimentos das empresas multinacionais que exploram as riquezas da região” e garantem que “a salvaguarda da segurança desses investimentos parece ser privilegiada em relação à proteção dessa população”.

Por outro lado, sublinham que as populações também sofrem “com abusos de membros das forças militares governamentais que não são fiéis à sua missão de proteção”.

A nota termina com um apelo à “sociedade civil, para que colabore no sempre necessário apoio humanitário”; aos órgãos de comunicação social, “para que não deixem de relatar e cair no esquecimento a dramática situação atual”; também “às empresas que operam na região e governos que as possam influenciar e às instâncias políticas moçambicanas, portuguesas e europeias, para que em todas as suas decisões coloquem o bem do povo de Cabo Delgado acima de quaisquer interesses políticos ou económicos”.

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