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​Primeiras imagens de satélite solar europeu mostram explosões nunca vistas

16 jul, 2020 - 17:51 • Lusa

A Solar Orbiter, que foi lançada a 10 de fevereiro, tem seis telescópios apontados ao sol e quatro instrumentos que fazem medições em torno da nave de fenómenos como o vento solar.

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As primeiras imagens do Sol transmitidas pelo satélite europeu Solar Orbiter permitiram ver explosões à superfície da estrela que nunca tinham sido observadas com tal pormenor, revela a Agência Espacial Europeia (ESA).

O que os cientistas chamam de “fogueiras” são “parentes pequenos das explosões solares que podemos observar a partir da Terra, milhões ou milhares de milhões de vezes menores”, afirmou o investigador David Berghmans, do Observatório Real da Bélgica.

As imagens foram captadas quando a Solar Orbiter estava a 77 milhões de quilómetros do Sol, a meio caminho entre a Terra e a estrela.


Segundo a ESA, os cientistas desconhecem para já se as “fogueiras” são como as explosões grandes, mas em ponto pequeno, ou se têm uma explicação diferente, mas teorizam que podem estar a contribuir para “um dos fenómenos mais misteriosos do Sol”.

“Estas fogueiras são totalmente insignificantes, mas, ao somar os seus efeitos em todo o Sol, podem ser a contribuição dominante para o aquecimento da coroa solar”, afirmou Frédéric Auchère, do Instituto de Astrofísica Espacial de França.

A coroa solar é a camada mais externa do Sol, que se projeta milhões de quilómetros para o espaço a uma temperatura de um milhão de graus centígrados, enquanto à superfície da estrela a temperatura ronda os 5.500 graus.

Os cientistas não sabem exatamente o que faz com que a coroa aqueça tanto.

A Solar Orbiter, que foi lançada a 10 de fevereiro, tem seis telescópios apontados ao sol e quatro instrumentos que fazem medições em torno da nave de fenómenos como o vento solar.

Quando acontecem explosões solares, são libertadas partículas de energia que fazem aumentar o vento solar projetado do sol para o espaço em volta de si, e que podem provocar tempestades magnéticas que afetam telecomunicações e redes de energia na Terra.

Os instrumentos permitem também medir o campo magnético na parte de trás do Sol, o que acontece pela primeira vez na história, porque a Solar Orbiter está num ângulo diferente do que a Terra.

Nos próximos dois anos, a Solar Orbiter aproximar-se-á até ficar a 42 milhões de quilómetros do Sol, quase um quarto da distância do Sol até à Terra.

O satélite foi construído no Reino Unido e o projeto tem 19 países europeus coligados, incluindo Portugal, bem como a agência espacial norte-americana.

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