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Covid-19. Simone de Oliveira regressa no domingo aos palcos

17 jul, 2020 - 09:53 • Lusa

Em 62 anos de carreira, a cantora, que atuará no Tivoli, não se lembra de um momento em que todas as salas de espetáculos encerraram por alguns meses e os profissionais ficaram sem poder trabalhar.

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Simone de Oliveira regressa no domingo aos palcos, depois de uma paragem forçada pela covid-19, com um espetáculo no Tivoli, em Lisboa.

Em 62 anos de carreira, Simone de Oliveira não se lembra de um momento como este, em que todas as salas de espetáculos encerraram por alguns meses e os profissionais do setor ficaram sem poder trabalhar.

“Nunca tal me aconteceu. Eu já perdi a voz, lá recuperei a voz, já passei as passas do Algarve com alguns problemas de saúde, mas nesta altura este confinamento é muito complicado”, partilhou a cantora, de 82 anos, com a Lusa, numa conversa telefónica.

Ao fim de três meses confinada em casa, sem poder ensaiar ou atuar, Simone regressa aos palcos no domingo, às 18h00, a convite do Tivoli.

Contudo, achou que neste regresso “não devia estar sozinha”, por isso convidou os cantores Sissi Martins, Ruben Madureira, FF e António Zambujo para a acompanharem, além dos músicos Muno Feist (piano) e Armando Ribeiro (saxofone).

“Vamos todos cantar o melhor que sabemos, o melhor que podemos, uns com os outros, umas vezes sozinhos e outras acompanhados”, revelou.

Simone admite que o espetáculo irá acontecer num dia “complicado, porque é domingo e às seis da tarde e as pessoas com este tempo vão para a praia”.

“Vamos esperar que a casa tenha pessoas, que se lembrem de nós porque nós precisamos do público, porque é a nossa vida. A nossa vida é feita com o público e é dele que nós ganhamos para pagar as nossas coisas”, referiu.

Profissionais do espetáculo sem receber


A cantora lembra que os profissionais do espetáculo estão “parados há muitos meses”. “Sem absolutamente nada, porque nós não temos subsídio de coisa nenhuma. Eu estou há 62 anos a trabalhar a recibos verdes”, contou.

Antes da pandemia, Simone de Oliveira estava em ensaios com o encenador Filipe La Féria, que tem na calha um espetáculo de homenagem à atriz Laura Alves.

“Acabámos os ensaios no dia 8 de março e vim para casa no dia 9”, recordou.

Desde então não trabalhou mais, até agora. O facto de ter “trabalhado muito nos últimos dois verões, com o [cantor] David Antunes” e de não ser “de desvarios, nem de grandes gastos”, permitiram-lhe viver estes meses sem grande preocupações financeiras.

Mas sabe que nem todos os profissionais do espetáculo tiveram a mesma sorte, por isso, apela ao público para que se lembre “não só de quem canta ou de quem representa, mas de todos os outros que estão atrás e são milhares de pessoas, algumas a passar fome”.

“Eu lamento que a nossa ministra [da Cultura, Graça Fonseca] não saiba nada de nós. Quando digo nada, é nada. Nunca foi a um circo, não é ver o circo é ir atrás do circo, nunca foi a um espetáculo de teatro, atrás, os meses que se leva ensaiar, não sabe os medos que nós temos, o medo de não receber, o medo de não ter dinheiro para pagar a renda da casa”, afirmou.

Uma mensagem à ministra da Cultura


Simone de Oliveira gostava um dia de se sentar com Graça Fonseca para lhe dizer: “A senhora tem de ouvir várias coisas que eu tenho para lhe contar, em 62 anos de vida”.

“Em relação à Cultura nós tivemos sempre uns ministros e umas ministras... Nunca mais me esqueço de uma ministra da Cultura que dizia que dizia que não gostava de fado, detestava fado, a única pessoa de quem gostava era a Amália. Dava vontade de rir. Se houve alguém que cantou fado maravilhosamente, e não cantará ninguém como ela cantou, foi a Amália”, disse.

Depois do Tivoli, Simone de Oliveira tem já outro espetáculo agendado, no dia 24 de julho no Fórum Cultural de Alcochete, mas aí estará sozinha em palco, “a cantar e a contar histórias”.

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