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Aos 90 anos, Germano Silva tem ainda muitas histórias do Porto para contar

07 out, 2021 - 07:25 • Maria João Costa

“Porto: As Histórias que Faltavam” é o novo livro de Germano Silva sobre a cidade que gosta de calcorrear, sempre com gente atrás, “sem papel ou cábula” na mão. Prestes a celebrar 90 anos, o autor garante que assim mantém viva a sua memória.

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Uma memória viva do Porto. Germano Silva está prestes a completar 90 anos e tem ainda muitas histórias por contar da cidade que tanto gosta de percorrer a pé. Às livrarias chega esta quinta-feira o seu mais recente livro. “Porto: As Histórias que Faltavam” reúne mais de 50 crónicas sobre a cidade que continua a surpreender Germano Silva.

Em entrevista ao Ensaio Geral, o antigo jornalista do Jornal de Notícias admite que ainda lhe faltam contar muitas histórias sobre os recantos do Porto. “Vivo numa cidade milenária. Uma cidade que tem uma história muito grande, que já existia quando Portugal ainda não era gente! Antes da nacionalidade, o Porto já era uma povoação importante no comércio”, lembra o autor.

O livro que será apresentado na Biblioteca Municipal Almeida Garrett a 13 de outubro, dia em que Germano Silva completa 90 anos, retrata a cidade que Germano Silva gosta de calcorrear. “Esta cidade é muito importante”, insiste o autor que conclui: “Ainda faltam muitas histórias por contar e estas eram as que faltavam publicar."

A idade não o impede de fazer o que mais gosta: percorrer as ruas e contar as histórias a quem o gosta de ouvir. A pandemia impediu-o de o fazer durante algum tempo, mas Germano Silva diz que já voltou "aos passeios”.

São, de resto, esses passeios, em tom de visita guiada, que mantêm a frescura da sua memória. Germano Silva admite: “Ando sempre com gente atrás de mim e isso ajuda-me. Fisicamente, estou bem, continuo a andar e a calcorrear a cidade e, depois, este convívio com pessoas que eu não sei quem são é muito importante. Eu consigo acompanhar essa gente sem papel, sem cábula porque continuo a manter viva a minha memória, graças a Deus!”

Sobre aquela que é a “sua” cidade, emprestada, já que nasceu em Penafiel, Germano Silva tem sempre histórias a contar. São muitas as que começa a desfiar quando lhe pedimos uma história. Ao acaso abre o seu novo livro e conta uma delas.

“Tenho aqui o livro na minha frente. Abri ao acaso e há um capítulo que é a “Casa dos Melo”. Temos aqui no Porto, a rua do Melo, tem a ver com esta casa. É na Boavista. Era uma casa muito importante, uma quinta enorme.

A particularidade é em meados do século XIX, em 1852, a Rainha D. Maria II veio ao Porto e foi aqui na Casa dos Melo, que era onde havia espaço, que as senhoras da sociedade portuense prepararam um lanche para oferecer à Rainha. Foi tudo muito bem preparado, pouco antes de começar a merenda, já estavam todos os ingredientes em cima da mesa e há um temporal enorme! Veio uma chuvada enorme e desfez tudo. Ainda hoje quando se passa na Casa dos Melo se recorda este episódio”.

Esta é só uma das curiosidades que conta no livro “Porto: As histórias que faltavam”, editado pela Porto Editora, onde Germano Silva juntou às crónicas, um texto inédito onde dá a conhecer o Porto de 1931, o ano do seu nascimento.

Questionado sobre se tem um lugar de eleição na cidade que não esconde mistérios para si, Germano Silva é categórico: Massarelos. É aí que estão as suas memórias e o seu coração. Diz que é o sítio onde vai “frequentemente”. “Vivi sempre na freguesia de Massarelos. É lá que tenho as minhas raízes. Estudei numa escola lá e mesmo nessa altura descia até à beira do rio e o rio era a ligação”, recorda o escritor.

Para si, Massarelos tem também outras ligações de afeto. Conta que tem uma “história muito rica”. “Era uma terra de marinheiros, de mercadores, de gente que trabalhava na construção de navios. As ruelas do centro histórico estão cheias de nichos com imagens, o Senhor dos Navegantes, a Senhora da Boa viagem. Está ali tudo!”, indica Silva.

Nesta entrevista refere várias vezes o Rio Douro e o seu fascínio por esta via de comunicação fluvial. “Continuo a percorrer essa zona desde o monte do Gólgota, onde vivia a Agustina Bessa-Luís até Massarelos, subindo escadinhas, descendo escadinhas, becos. Percorro muito essa zona porque sinto um fascínio muito grande pelo Rio Douro”, concluiu.

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