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Poetisa brasileira Adélia Prado vence Prémio Camões 2024

26 jun, 2024 - 17:00 • João Malheiro com Lusa

Escritora natural de Divinópolis "é autora de uma obra muito original, que se estende ao longo de décadas, com destaque para a produção poética", destaca o júri. "O homem da mão seca", "Manuscritos de Felipa" e "Oráculos de maio" são alguns dos livros de Adélia Prado.

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A escritora brasileira Adélia Prado venceu o Prémio Camões 2024. A antologia "Tudo que Existe Louvará" é o único livro editado em Portugal.

A atribuição do prémio à poetisa de 89 anos, autora de obras como "O homem da mão seca", "Manuscritos de Felipa" e "Oráculos de maio", foi conhecido esta quarta-feira.

É a oitava mulher a receber o Prémio Camões desde que foi instituído, em 1989.

Nascida em 1935, nasceu em Divinópolis, em Minas Gerais, onde reside até hoje. A sua formação é em Magistério e Filosofia.

Foi a primeira da sua família a ver o oceano, a estudar na universidade e a sonhar escrever um livro, pode ler-se na biografia de Adélia Prado publicada pela organização do prémio Griffin, que lembra que a escritora estudou Filosofia e Educação Religiosa na universidade local e deu aulas até 1979, tendo sido nos anos 1980 adida cultural da cidade onde ainda vive.

Em 1976, publicou "Bagagem. O ano de 1978 marca o lançamento de "O coração disparado", que é agraciado com o Prémio Jabuti.

Em 2010, recebeu o Prémio Literário da Fundação Biblioteca Nacional e o Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Há dias, recebeu o prémio Machado de Assis, no Brasil. Em Portugal, Adélia Prado é editada pela Assírio e Alvim.

Hoje, a sua influência é sentida além-fronteiras, quer do Brasil quer da região. Na rede social Instagram, Adélia Prado lê poemas e recebe dezenas de milhares de "likes", respondendo a perguntas de leitores.

A poesia de Adélia Prado tem um caráter religioso. A sua antologia "Tudo que Existe Louvará", publicada em Portugal, conta com um prefácio de D. Tolentino Mendonça.

O júri do Prémio Camões de 2024 foi composto pelas professores Clara Crabbé Rocha, Isabel Cristina Mateus, Francisco Noa, Cleber Ranieri Ribas de Almeida, Deonísio da Silva e Dionísio Bahule.

Segundo o júri, “Adélia Prado é autora de uma obra muito original, que se estende ao longo de décadas, com destaque para a produção poética".

D. Tolentino Mendonça felicitou Adélia Prado pela atribuição do Prémio Camões de 2024, considerando uma "razão de festa para leitores de poesia".

À Renascença, o cardeal, que venceu o prémio no ano passado, refere que a poetisa "é uma das criadoras mais irreverentes e originais da Literatura contemporânea".

O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou a poetisa brasileira. Numa nota publicada no site da Presidência da República, o chefe de Estado português lembrou que Prado "soube unir, de modo pessoal e inconfundível, a mundividência cristã, a condição de mulher e o coloquialismo quotidiano, sempre com uma graça e um lirismo cativantes".


PRANTO PARA COMOVER JONATHAN (um poema de Adélia Prado)

Os diamantes são indestrutíveis?

Mais é meu amor.

O mar é imenso?

Meu amor é maior,

mais belo sem ornamentos

do que um campo de flores.

Mais triste do que a morte,

mais desesperançado

do que a onda batendo no rochedo,

mais tenaz que o rochedo.

Ama e nem sabe mais o que ama.

[Atualizada às 20h00]

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  • ze
    26 jun, 2024 aldeia 18:40
    nada contra,mas em Portugal já não há escritores,poetas etc......?

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