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Entrevista Renascença

Rita Redshoes juntou-se a um grupo de músicos “Usados de Qualidade”

22 nov, 2024 - 12:20 • Maria João Costa

“Só Penso Nisso” é o single de estreia de um novo projeto musical português. Rita e os Usados de Qualidade dá voz a músicas que João Monge tinha na gaveta.

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A unir as canções a que Rita Redshoes dá voz neste projeto musical Rita e os Usados de Qualidade estão as letras escritas por João Monge. São “canções com gente dentro”, diz Rita.

No dia em que lançam oficialmente o projeto, este grupo conversou com o "Ensaio Geral" da Renascença e mostra- se entusiasmado, e já sonha com os concertos no próximo ano.

Além de voz Rita Redshoes e as letras João Monge, o projeto junta também os músicos Manuel Paulo, Ruca Rebordão, Norton Daiello e José Peixoto.

Manuel Paulo e Rita Redshoes interromperam o ensaio para contar à Renascença as origens do projeto.

Qual de vós quer explicar como é que nasceu este projeto?

Manuel Paulo (MP) - Posso ser eu. Eu estava cá antes!

Este projeto, na verdade, tem um denominador comum, que são as letras, e são as palavras do João Monge. Ele tem, ao longo dos anos, trabalhado comigo e com José Peixoto. É o nosso letrista de eleição. Ele é fantástico.

Um dia estava em casa, calmamente, e recebo um telefonema do José a desafiar-me para pegarmos numa série de canções que ambos temos com as letras do Monge e fazermos qualquer coisa juntos.

Eu e o José Peixoto conhecemos-nos há muitos anos, mas nunca tínhamos trabalhado juntos. E a ideia agradou-me bastante. Ainda por cima, nós vimos de universos musicais bastante diferentes.

E a ideia agradou-me. Por que não misturar? E~, assim, começámos a pensar, a fazer uma escolha com o João Monge das canções em que iríamos pegar. Todas elas já foram gravadas, embora a maior parte delas não tenham sido nunca tocadas ao vivo.

Começámos a fazer uma escolha das canções e a depois pensar quem é que poderia alinhar connosco nisto.

Faltava uma voz?

MP - Sim, faltava a voz e faltavam ainda os músicos.

E lembrámos-nos do Norton Daiello e do Ruca Rebordão, que são absolutamente fantásticos e pegaram nas canções como se fossem suas.

E depois, já não me lembro quem é que se lembrou do nome da Rita! Ligámos-nos à Rita e a ela aceitou. E depois, a partir daí, isto cresceu imenso.

O que é que a Rita trouxe ao projeto?

MP - A forma como a Rita se apropriou das canções foi absolutamente fantástica. Levou as canções para outro sítio.

Eu acho que nós, esta Rita e os Usados de Qualidade, já criamos uma personalidade muito especial. Estamos entusiasmadíssimos!

E a Rita?

Rita Redshoes (RR) - Fui altamente surpreendida quando recebi o telefonema. Estava longe de mim alguma vez imaginar que estes ilustres senhores, e músicos, me iriam convidar para um projeto.

Claro, a minha preocupação foi... Bom, estarei eu à altura de dar voz a estas canções e estas palavras? E trazer alguma coisa de novo, e meu?

E conseguiu?

RR - Para já, fiquei muito contente por se lembrarem de mim. Com tantas boas cantoras que há, foi bastante surpreendente.

Depois, quando nos sentámos, curiosamente, em minha casa, a ouvir o repertório, eu, à medida que ia ouvindo as canções, fui sentindo... Bom, eu acho que consigo trazer alguma coisa de meu.

Como foi esse processo?

RR- Foi trazer as canções também um bocadinho para o meu universo. Para a minha forma de interpretar e de cantar. Portanto, acho que temos aqui os ingredientes necessários para seguir em frente.

Embora eu não seja tão usada, e de tanta qualidade... (risos)

MP - Tens imensa qualidade, menos uso do que nós!

Olhando para o repertório, de que falam estas canções? E como foi o processo de gravação?

MP - A gravação foi interessante, porque também foi um bocadinho diferente, pelo menos daquilo que eu estou habituado.

Nós gravámos ao vivo no estúdio. Portanto, tocámos ao mesmo tempo. Com uma voz de referência. A Rita, só depois, no fim, gravou a voz definitiva.

Ao tocarmos todos ao mesmo tempo, é uma coisa que acho faz com que as canções respirem de uma outra forma.

Quanto à temática das canções, é bastante variada. Até porque as canções são de épocas diferentes. Foram escritas em alturas diferentes.

Mas é muito interessante, porque o Monge é um tipo que escreve muito bem e consegue escrever até sobre lugares comuns de uma forma muito especial.

Portanto, eu acho que é muito fácil, como compositor e habituado a trabalhar com o João Monge, pegar nas letras dele.

Mas, é preciso ter cuidado para não as estragar! O João Monge tem um imaginário muito especial. Por exemplo, sobre o universo feminino, sobre as pessoas, sobre a paisagem, inclusive. No fundo, isto são lugares comuns, mas ele escreve como ninguém. É fantástico!

RR - Ele tem uma frase que eu acho que é muito interessante e que define bem as palavras e as letras dele. São letras com gente dentro.

São pequenas histórias, muitas delas vistas de uma perspetiva feminina, o que é muito interessante, sendo ele um homem a escrever. E daí também a facilidade que é para uma voz feminina, como a minha, interpretar as palavras.

De facto, é um universo com pontos bastante femininos, do meu ponto de vista, e depois tem muito humor. Consegue dar a um lado trágico uma visão leve e tirar algum peso de cima, o que é muito interessante. E que, às vezes, é acentuado pela canção.

Outras vezes é desconstruído pela composição das canções. E, portanto, é um universo muito vasto, até para interpretar. De repente eu senti-me muito mais elástica.

Porque tanto estava a falar de uma coisa muito humorística, como de repente estava a falar de uma coisa altamente pesada. E isso é um terreno muito fértil para interpretar e é muito bom. Dá imenso prazer.

Os Usados de Qualidade fizeram a sua prova de vida?

MP - Isto é a prova de que não estavam fora de prazo. Pelo menos, estamos convencidos disso.

Acho que o nome, a primeira vez que o vi, achei-lhe imensa graça. As pessoas acham piada ao nome, porque, de facto, nós já temos uns anos em cima de projetos absolutamente diferentes.

E acho que Usados de Qualidade também se pode referir ao repertório. Há canções que foram escritas há 20 anos e outras mais recentes.

No entanto, elas convivem juntas como se fossem novas. E, honestamente, cantadas pela Rita e tocadas por nós, são únicas mesmo.

Vão para a estrada? Haverá espaço a concertos?

MP - Esperamos bem que sim! O primeiro single, o primeiro videoclipe, sai neste dia 22 [de novembro]. Depois nós vamos preparar um espetáculo. E nos primeiros meses do ano que vem esperamos tocar bastante. Assim nos convidem!

Este primeiro single fala do quê?

RR- Não queria revelar muito para que as pessoas ter alguma curiosidade em saberem.

Acho que a escolha deste single se prendeu também com uma certa vontade conjunta de dar um bocadinho de seguimento ao humor no nome da banda.

Foi trazer algo com esse lado mais atrevido e mais brincalhão. Isto já não sei qual de vocês disse, mas nós não queriamos apresentar uma primeira canção pesadona e assim muito balada.

Acho que esta canção representa-nos bem. Pelo menos um lado deste grupo mais humorístico. É um primeiro cartão de visita animado e de certa forma com humor.

Condiz muito bem com aquilo que é sobretudo o ambiente interno da banda. Além, obviamente, das letras e do repertório se bom e muito denso, é também humorado.

Existe de facto um ambiente de convívio e de carinho entre nós e que eu acho que também espelha um bocadinho esta primeira canção e o videoclipe.

É esta comunhão que se fez aqui que nós gostamos muito. Mesmo fora dos ensaios ou da parte de trabalho.

Ela existe e mantém-se. É esse o espírito. Este primeiro single vem um bocadinho mostrar esse lado de união e de humor. E de bom ambiente que é estarmos juntos.

MP - Também foi uma surpresa para nós. De repente somos assim uma espécie de família. E acho que isso vai refletir-se muito nos concertos e na forma de nós tocarmos ao vivo. Já estamos a senti-lo nos nossos ensaios.

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