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Marcelo condecora Festival Literário Correntes d’Escritas

22 fev, 2025 - 21:11 • Maria João Costa

No encerramento da 26.ª Edição do Festival Literária Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, o Presidente da República condecorou o evento como membro honorário da Ordem de Mérito. "Sem Correntes, a Póvoa é menos Póvoa”, disse Marcelo

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É um “suplemento de alma”. Foi desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa se referiu ao Festival Literário Correntes d’Escritas que encerrou este sábado, na Póvoa de Varzim. Presente pela quinta vez neste evento, o Presidente da República resolveu condecorar o festival como “Membro Honorário da Ordem de Mérito”

No palco do Cine-Teatro Garrett, o Presidente da República afirmou: “Há que condecorar a ideia e o conceito”. Marcelo admitiu que já o deveria ter feito há um ano, mas na altura não estava em Portugal e não o quis fazer à distância.

“Sabemos todos que sem Correntes d’Escritas, a Póvoa é menos Póvoa, Norte é menos Norte, Portugal é menos Portugal, Língua é menos Língua, pessoas são menos pessoas, viver é menos viver”, declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que comprou na livraria do festival vários livros antes de entrar para a cerimónia, recordou os seus tempos de editor e enalteceu também o papel dos leitores.

Na 26.ª edição, o chefe de Estado manifestou “gratidão” por “muitos, bons e únicos anos” deste evento literário, antes de entregar as insígnias ao autarca Aires Pereira. Também em fim de mandato, o Presidente referiu que no futuro poderá deslocar-se ao festival “com mais vagar, sem compromissos imperativos” que o façam sair.

Marcelo pede ao ministério da Cultura mexidas no Cheque Livro

Na cerimónia de encerramento esteve também presente o novo secretário de Estado da Cultura. Alberto Santos já tinha marcado presença na abertura. Agora, no fecho do evento, escutou um repto de Marcelo Rebelo de Sousa.

“Não se esqueça da obrigação de proteger o livro”, disse Marcelo Rebelo de Sousa no discurso de encerramento. “Seja em governante do país, aquilo que foi em governante autárquico. Basta isso”, desafiou Marcelo ao novo responsável da secretaria de Estado da Cultura.

Já antes Alberto Santos tinha acompanhado a ida do Presidente à livraria das Correntes d’Escritas. Enquanto escolhia livros, Marcelo Rebelo de Sousa disse em tom crítico ao novo membro da equipa de Dalila Rodrigues que “o Ministério [da Cultura] está muito virado para o património e, agora menos, mas antes para as Artes Preformativas”

Marcelo lembrou que muitas vezes o setor do livro é olhado como se pertencesse à Educação e isso “não pode ser”, referiu.

Já sobre o Cheque-Livro, o Presidente da República afirmou ao secretário de Estado que “a ideia é boa, mas a concretização foi complicada e este ano não há sequer orçamento. Ficou aquém das espectativas”, rematou. Alberto Santos respondeu: “Vamos ter de olhar para isso”.

“Os poemas são raros”, diz a premiada Andreia C. Faria

A autora de “Canina”, que venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa, no âmbito do festival Correntes d’Escritas, recebeu e agradeceu este sábado a distinção.

No palco do Cine-Teatro Garrett, Andreia C. Faria afirmou: “Costuma-se falar em poesia no singular, como se o conjunto dos poetas e aquilo que escrevem formassem um corpo unívoco, como se tudo o que aparece escrito sob a forma de verso fosse poesia”.

Para a poeta do Porto, “paradoxalmente, ninguém parece entender sobre o que é a poesia”. Preferiu explicar que na sua opinião prefere “falar em poemas, em vez de falar em poesia”.

“Os poemas são raros. São o sonho da linguagem, o sonho de uma língua comum. A poesia está na rua, mas os poemas são mais esquivos. E, no entanto, quando escrevemos ou lemos um poema que nasce dessa noite comum da espécie, reconhecemo-lo. Sabemos que fala de nós e para nós”, declarou, seguida de um aplauso.

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