Escritor Amin Maalouf em Lisboa para o Festival 5L
05 mai, 2025 - 06:02
Na quinta edição, o festival literário tem como tema “Utopia/Distopia” e decorre dias 5, 9, 10 e 11 em vários locais da cidade. Além de conversas com escritores, o festival conta também com uma exposição de ilustração
É no Dia Mundial da Língua Portuguesa que arranca a quinta edição do Festival 5L. O Festival Internacional de Literatura e Língua Portuguesa de Lisboa regressa à Biblioteca do Palácio Galveias e decorre também, este ano, no Beato Innovation Distrit com uma programação que prevê além de encontros com autores, vários debates e exposições.
Organizado pela Câmara de Lisboa, o Festival 5 L tem nesta edição como curadores o editor Carlos Vaz Marques, Catarina Magro e Jorge Amorim que pensaram a agenda a oferecer ao público dias 5, 9, 10 e 11 de maio.
A estrela desta edição é o escritor Amin Maalouf. O autor de “Leão, o Africano” vai estar em Lisboa, sábado, dia 10, para uma conversa moderada pelo poeta e tradutor José Mário Silva.
Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, a chefe de divisão da Rede de Bibliotecas de Lisboa, Edite Guimarães explica que esperam, com a programação apresentada “cativar” mais jovens para a leitura e em particular para as bibliotecas.
Edite Guimarães faz alguns destaques do cartaz, desde logo um dos eventos dos primeiros dias. “No dia 9, sem sombra de dúvidas, destacaria duas conversas, ‘A Desinformação, Censura de Livros e o Fim da Democracia’ com a Patricia (Tracy) Hall, acho que é imperdível” e que decorre às 17 horas.
Antes ainda, logo no primeiro dia, a 5 de maio e para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Edite Guimarães destaca as conversas que vão decorrer à tarde na Biblioteca Palácio Galveias. Mas antes, há outras iniciativas pensadas para os mais novos.
“De manhã a equipa de mediação das Bibliotecas de Lisboa estará nas escolas a fazer atividades de mediação de leitura a partir de histórias de autores de língua portuguesa, não necessariamente portugueses”, sublinha.
“No dia 9 de maio destacaria às 18 horas, ‘A Inteligência Artificial na Escrita e na Educação – pontes para o futuro’, com a moderação de um dos nossos curadores, o Jorge Amorim, e que terá como participantes a Patrícia Anzini, Beatriz Santana e a Inês Anta de Barros. No dia 10, destacaria ainda uma conversa à volta da língua e o mistério das origens da faculdade de linguagem”, aponta.
Neste caso, “será uma entrevista com um professor do MIT, Robert Berwick, por videoconferência que vai conversar com a Pilar Barbosa”. Também para falar da língua e linguagem, no dia 10 decorre uma conversa em torno da ortografia e que conta com João Paulo Silvestre e Isabel Machado, com moderação de Henrique Monteiro.
Participantes neste 5L são também o cientista da área da física, Carlos Fiolhais e o escritor Rui Cardoso Martins que conversarão com Luís Filipe Silva em torno da pergunta “a ficção científica já deixou de ser uma ficção”. A moderação estará a cargo do jornalista Luís Ricardo Duarte.
O tema da Inteligência Artificial será também abordada no dia 11 numa conversa cujo tema é “A Língua Portuguesa na era da Inteligência Artificial”. No mesmo dia decorre também outra conversa com Juan Villoro, moderada pelo jornalista José Alberto Carvalho.
Além de performances que vão decorrer durante o festival e que foram pensadas para o 5L, durante os quatro dias de evento o público poderá também ver duas exposições, uma delas a mostra “Desenha-me uma máquina” que reúne o trabalho de 20 ilustradores.
Jovens leem mais, mas frequentam pouco as bibliotecas
Na era em que redes sociais como o TikTok e o Instagram fizeram disparar o número de leitores, sobretudo entre os jovens, a Renascença questionou Edite Guimarães sobre a frequência das bibliotecas.
A chefe de divisão da Rede de Bibliotecas de Lisboa explica que “em termos de leitores nas bibliotecas”, os “perfis” que tem “não dão essa indicação dos leitores mais novos”.
“Sabemos que é uma realidade que está muito disseminada nas redes sociais, através das contas, tanto de Instagram como de TikTok, dedicadas aos livros em particular, mas ainda não sentimos isso nos perfis dos nossos leitores”, comenta.
No entanto, esta responsável sublinha o facto de esses mesmos jovens que não entram na biblioteca para requisitar livros, participam em eventos como os festivais.
É “mais na dimensão da programação cultural” que as bibliotecas disponibilizam que esses jovens leitores surgem. Isso torna-se um desafio para programar, refere Edite Guimarães.
“Nós esperamos que consigamos aqui cativar alguns leitores mais novos para este festival”, aponta.
Edite Guimarães sublinha duas questões. Por um lado, é, na sua opinião, necessário “auscultar os jovens e perceber em que medida é que os espaços poderiam tornar-se mais apelativos para a prática das leituras”.
“Por outro lado, temos espaços para as famílias, temos espaços para os adultos, mas os jovens ficam naquela terra de ninguém. Sabemos que é sempre difícil. A maioria das nossas bibliotecas não é feita de raiz e, portanto, são espaços já pré-existentes adaptados para o funcionamento de uma biblioteca, mas creio que nestas lógicas de repensarmos os espaços das bibliotecas há que prestar uma atenção especial aos jovens”, indica.
- Noticiário das 23h
- 13 mai, 2026








