Febre dos bebés "reborn" pode promover "isolamento social e maior solidão"
30 mai, 2025 - 06:31 • Redação
São extremamente realistas e há quem os use para treinar a maternidade, mas também como compensação em casos de luto ou solidão. Psicólogos alertam para risco de potenciarem "tendência para a individualização". Podem custar 900 euros.
São bonecos que simulam recém-nascidos humanos. Os bebés "reborn" podem chegar a custar 900 euros, são feitos de silicone e têm características muito realistas: textura de pele, cabelo implantado fio a fio, veias pintadas à mão e peso semelhante ao real.
Apesar de existirem desde os anos 90, têm vindo a ganhar popularidade a nível global devido aos vários vídeos que circulam nas redes sociais.
"Delírios"
A polémica à volta dos bebés "reborn" intensificou-se no Brasil, onde a utilização destes bonecos já foi regulada com a criação de políticas públicas.
Existem relatos de casos em que as pessoas tratam os bonecos como humanos e exigem, até, os mesmos direitos - como prioridade em transportes públicos, atendimento médico e pensão de alimentos. Já existem, inclusivamente, em algumas regiões, "maternidades" falsas que simulam o seu nascimento e fornecem documentos que imitam os reais, como boletim de vacinas e certidão de nascimento.
Miguel Ricou associa "alguns casos pontuais" a "delírios", em que as pessoas fazem alguma confusão e não distinguem um boneco de uma criança verdadeira.
"O boneco transforma-se numa espécie de objeto que promove o delírio, mas a tendência delirante já estava presente."
Apesar das polémicas, o psicólogo diz que não é caso para causar alarme social. Acredita que o caminho passa por "dar informação às pessoas, conseguir chegar a elas e explicar aquilo que são os limites".
Com a vasta oferta de produtos no mercado, estes bonecos não são "as piores coisas a que nós podemos aceder". O especialista está "mais preocupado com os chatbots".
Obra de arte e acessórios
Os bonecos são também procurados por pessoas que querem ganhar experiência na maternidade e pais que querem transmitir aos filhos "uma certa calma, o afeto, o cuidar", nota Maria Prata.
No entanto, do ponto de vista profissional de Miguel Ricou, as crianças são muito criativas e "não precisam de uma enorme tecnologia para poderem brincar e representar papéis".
Os bebés "reborn" são criados por artistas especializados em escultura e pintura e "são todos únicos", afirma Carolina Nicolodi, que pinta estes bonecos desde 2020.
A artista explica o processo: "Primeiro, o bebé é esculpido com uma espécie de argila. Depois, vai para as fábricas. As mais conhecidas são na Alemanha e na China." A seguir, a escultura chega aos artistas, que a pintam em vinil. São necessárias 10 a 20 camadas para a finalizar.
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