Reportagem
Ciclista percorre 6 mil km para promover uma cidade mais verde
02 jun, 2025 - 13:42 • Redação
O percurso feito pelo ultramaratonista Tiago Cação tem início no Porto e termina em Lisboa. A meta diária é de 240 km ao longo do mês de junho.
São 6 mil quilómetros de bicicleta por Portugal em 27 dias. O projeto 278 de Tiago Cação teve início esta segunda-feira pelas 9h00 no Porto. O ultramaratonista tem como objetivo apelar à profunda redefinição da mobilidade urbana, num país que está "atrasado em relação ao resto da Europa".
Em ano de autárquicas, "é importante que este tema não fique de fora das campanhas, que seja discutido", nota Tiago Cação, que espera que "se inicie um debate político sério" sobre a questão da mobilidade urbana. "Temos um modelo de cidade completamente pensado para o carro, e o futuro das cidades são cidades sem carros".
O percurso tem início no Porto e termina em Lisboa, percorrendo todos os 278 Municípios de Portugal Continental. A meta diária é percorrer cerca de 240 km ao longo do mês de junho. Para o ultramaratonista, a parte mais difícil foi desenhar o percurso. "Tentei minimizar o percurso ao máximo possível, consegui chegar aos 6 mil quilómetros."
A missão é "parar em todas as câmaras municipais, entregar uma carta com um conjunto de medidas e de recomendações, que na verdade são 10 pontos básicos que bastam para fazer já um bom início de caminho na transformação das cidades".
Tiago partilha com a Renascença: "Começar no Porto é sempre bom, é uma cidade que eu adoro. Ainda não vi nenhuma ciclovia desde que estou aqui, e estava preocupado".
Vera Diogo, presidente da direção da MUBI - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta - participou na redação do Manifesto e alerta: "Nós devíamos ter em 2030, 10% de deslocação em bicicleta nas cidades e 7,5% a nível nacional. E estamos muito, muito, muito aquém disso. Comparativamente com outros países estamos a anos-luz. E ainda, para piorar a situação, as medidas não são postas em prática".
São ainda várias as limitações que existem no país no que toca a uma mobilidade mais verde. "Não temos uma rede de ciclovias, portanto as pessoas que querem começar a deslocar-se de bicicleta por sentirem que isso favorece a sua saúde, o seu bem-estar psicológico e mesmo a sua carteira têm medo de o fazer. Não têm recursos seguros que lhes permitam chegar com confiança ao trabalho, ou à escola, ou onde quer que seja", afirma Vera Diogo.
A vereadora da Câmara do Porto, Catarina Araújo, olha para o projeto "com agrado" visto que "está alinhado com muitas das nossas preocupações e objetivos".
O foco de Catarina Araújo tem sido as crianças: "Acredito que é aí que se deve começar a trabalhar, apelando, incentivando, capacitando - até porque percebemos que era preciso muito esta questão da capacitação dos mais novos a usarem a bicicleta".
A Câmara do Porto tem vindo a percorrer caminho no sentido de promover uma cidade mais verde, mas está consciente que "é preciso fazer mais e melhor numa ligação integrada entre aquilo que são as zonas habitacionais, as escolas, as universidades". A vereadora da Qualidade de Vida deixa a nota que "é um trabalho para o qual estamos muito atentos, muito espertos e que estamos a fazer".
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