Morreu Eduardo Gageiro, fotojornalista da realidade do país e do 25 de Abril de 1974
04 jun, 2025 - 11:35 • Maria João Costa com Lusa
Eduardo Gageiro morreu aos 90 anos. Começou a fotografar aos 14 anos. O seu arquivo, como dizia, tinha “mais de um milhão” de negativos. Muitas dessas fotografias retratam o dia 25 de Abril de 1974, o dia em que começou a madrugada a fotografar no Terreiro do Paço, ao lado de Salgueiro Maia e se sentiu um "resistente".
O fotojornalista Eduardo Gageiro, conhecido por imagens históricas captadas na Revolução do 25 de Abril, morreu nesta madrugada de quarta-feira, em Lisboa, aos 90 anos, disse à agência Lusa fonte da família.
Eduardo Gageiro faleceu no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, "em paz, rodeado pela família, com todo o carinho e conforto", revelou Afonso Gageiro, neto do fotojornalista.
Nascido em Sacavém, em 1935, Gageiro, que completou 90 anos em fevereiro, deixa um vasto arquivo de uma obra de décadas que ilustra realidades políticas, sociais e culturais do país, modos de vida e personalidades diversas, num registo histórico desde a década de 1950 até à atualidade.
“Um PIDE em cuecas” foi a última fotografia de Eduardo Gageiro no 25 de Abril
Começou o dia, às 6 da manhã no Terreiro do Paço a(...)
Eduardo Gageiro foi um dos primeiros fotojornalistas a chegar aos cenários do 25 de Abril, fixando as imagens do encontro dos militares no Terreiro do Paço, o assalto à sede da PIDE, a polícia política da ditadura, e o momento em que o capitão Salgueiro Maia percebeu que a queda da ditadura era inevitável e a revolução triunfara.
Em 2024, em entrevista à Renascença recordava esse dia do 25 de Abril de 1974 como um dia em que não teve "medo".
"Ouvi várias vezes, 'Dispara! Dispara!', aquilo estava muito complicado. Eu estava atrás da chaimite, a Bula e acredite, sobre a minha palavra de honra, naquele dia não estava com medo. Estava revoltado. Já tinha sido preso pela PIDE e senti que tinha que acontecer alguma coisa. Eu estava ali também como resistente", recordou.
Questionado então como um dia poderia ser retratado, Eduardo Gageiro, disse apenas "com a máquina fotográfica". "É a minha autodefesa. Parece que a máquina me protegia", afirmou.
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