Exposição Fotográfica
“Fecho os olhos cansados, e descrevo…”. Um verso de Cesário Verde, sentido por Limamil
13 jun, 2025 - 12:36 • Redação
A exposição vai decorrer na Casa da Cultura Mirandesa entre 18 de junho e 17 de agosto e "surgiu de um amor muito grande pela terra, pela região"
“Fecho os olhos cansados, e descrevo…” um excerto de Cesário Verde, que serve de mote à exposição de João Lima, cujo nome artístico é Limamil. O trabalho será apresentado a partir do dia 18 de junho, quarta-feira, na Casa da Cultura Mirandesa.
A exposição fotográfica tem uma abordagem temática do Nordeste Transmontano - Douro Internacional, através de tópicos como a paisagem, a natureza, a intervenção humana na região e a interação das pessoas que o habitam, com o meio.
À Renascença, Limamil conta que a ideia surgiu "do amor quase incondicional por aquela região". Natural do Porto, o artista foi, em adolescente, com um amigo a Freixo de Espada a Cinta - vila raiana portuguesa na sub-região do douro -, e depressa se apaixonou. "Parece que encontrei a minha terra. Senti-me ligado àquela gente, àquele território", afirma.
Ao trabalhar com fotografia e com artes, foi fotografando e, passados 10 anos, a exposição veio por acréscimo. Neste período, Limamil foi apercebendo-se das mudanças na terra - era uma terra muito mais selvagem, que se começou a tornar numa terra mais humana -, já que passou a haver uma maior intervenção do homem. "Muitas das fotografias revertem para esta questão da humanização, mas também para o vocalismo de eu ter escolhido o tema do Cesário Verde como título para a exposição".
Questionado sobre a escolha do título, Limamil justificou-o em duas etapas: "fecho os olhos cansados" lembram-no do "bom cansaço" que sentiu ao estar sempre a fotografar a região, e "descrever" é a forma como vê a terra.
Cesário Verde era uma pessoa presa na cidade, mas que tinha um amor pelo campo, daí a tristeza que sentia no meio urbano, e a felicidade quando estava no ambiente rural. "Eu tinha este cansaço também desta relação cidade-campo", afirma João Lima, comparando-se com a situação vivenciada pelo poeta.
"Eu espero que os outros a sintam também, que sintam também alguma dureza, que sintam também o amor, que sintam uma religiosidade que está patente ainda muito naquela região, que entendam ainda as pessoas que vivem ali, apesar de se terem construído algumas autostradas e algumas vias de acesso, ainda continua a ser uma zona muito isolada".
O artista optou por utilizar imagens a preto e branco, com o objetivo de que as pessoas não se dispersassem pela cor, mas que, as próprias fotografias, conseguissem envolver o público dentro delas. Desta forma, conseguir-se-iam perceber pormenores que estão lá, mas que, quando há cor, "nos distrai".
Além disso, foi tudo registado com uma câmara analógica panorâmica e a impressão foi "feita num papel de aguarela, em que eu próprio construí e preparei a gelatina para emulsionar o papel". Desta forma, o artista conseguiu atingir a textura "quase de pintura, quase de pincelada", nas fotografias.
O fotógrafo diz ainda que sentiu muita dificuldade em escolher as imagens, por ser um trabalho realizado durante um período tão extenso e que resultou em "milhares de fotografias".
João Lima participou em diversas exposições, estando o seu trabalho representado em várias instituições e colecionadores particulares. Além disso, a sua carreira está ligada ao ensino: foi professor da ESAP - Escola Superior Artística do Porto, no curso superior de fotografia e é técnico superior de Fotografia na FBAUP - Faculdade de Belas Artes, desde 2004. Atualmente encontra-se a fazer o Doutoramento na Universidade de Vigo.
A mostra fotográfica conta com o apoio da Câmara Municipal de Miranda do Douro e integra a programação especial do município, que se enquadra na semana de atividades da elevação de ‘Miranda’ à categoria de cidade.
Para a abertura da exposição estão reservados momentos de poesia, através da leitura de alguns versos escritos por dois autores da mesma região, João Pedro Luís e Adelaide Monteiro, que remetem para as imagens do fotógrafo.
A exposição estará aberta ao público na Casa da Cultura Mirandesa até ao dia 17 de agosto, e pode ser visitada de segunda a sábado, das 09h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00.
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