Nova Iorque
Depois de quase quatro décadas, Anna Wintour deixa o cargo de editora-chefe da Vogue americana
27 jun, 2025 - 16:45 • Redação
Anna Wintour, conhecida pela sua autoridade no mundo da moda, anunciou que vai "dar um passo atrás" como editora-chefe da Vogue americana, posição que ocupa desde 1988.
Anna Wintour, editora-chefe da Vogue, revista americana mensal de moda e estilo de vida, anunciou esta quinta-feira que vai deixar o cargo depois de quase quatro décadas à frente da revista. A decisão foi comunicada numa reunião interna com a equipa.
Anna Wintour tem 75 anos, mas a decisão nada teve haver com a reforma. A atual diretora da revista vai continuar com o cargo de diretora global de conteúdos da Condé Nast — função que assumiu em 2020 como parte da reorganização internacional do grupo —, e editora global da Vogue.
De acordo com a agência Associated Press, Anna explicou, durante a reunião, que "qualquer pessoa que trabalhe numa área criativa sabe como é essencial nunca parar de evoluir" no seu trabalho. "Quando me tornei editora da Vogue, estava determinada a provar que havia uma nova e empolgante forma de imaginar uma revista de moda americana."
Wintour afirmou querer dedicar-se a orientar a próxima geração de editores — "Agora, o que mais prazer me dá é ajudar a próxima geração de editores apaixonados a invadir o campo com as suas próprias ideias, apoiadas por uma nova e entusiasmante visão do que pode ser uma grande empresa de media. E, claro, planeio continuar a ser editora de ténis e de teatro da Vogue para sempre", acrescentou.
O Futuro da Vogue
Num comunicado, a Condé Nast anunciou que a Vogue americana terá um novo cargo — chefe editorial de conteúdos —, que irá substituir o título clássico de editora-chefe. "Não iremos procurar um novo editor-chefe para a Vogue americana. Em vez disso, será nomeado um chefe editorial de conteúdos, que reportará diretamente a Anna Wintour, agora com funções globais."
Esta posição será ocupada por uma nova liderança, ainda por anunciar, que responderá diretamente a Wintour. A mudança integra uma reorganização editorial global da Condé Nast - "A introdução de um novo cargo editorial para a Vogue dos EUA permitirá a Wintour mais tempo e flexibilidade para apoiar os restantes mercados globais que a Condé Nast serve", pode ler-se.
Segundo a Vogue Business, a empresa pretende "alinhar a edição americana da Vogue com a estrutura editorial das restantes edições internacionais", onde já existem funções semelhantes.
Anna Wintour irá focar-se nas marcas globais sob domínio da Condé Nast, como a GQ, a Vanity Fair, a Wired, a Glamour e a Bon Appétit, bem como eventos como o Met Gala e o Vogue World.
Fim de uma era
Anna Wintour entrou na Vogue em 1988, tendo revolucionado o design e o conteúdo da revista, e, por isso, a saída do cargo de editora-chefe representa o fim de uma era para a Vogue americana.
Sob a sua liderança, a Vogue tornou-se um fenómeno cultural, expandindo o campo de atuação para além da moda. Foi pioneira ao colocar celebridades como Michelle Obama e Beyoncé e Kim Kardashian nas capas, além de ter lançado e apoiado designers como John Galliano, Alexander McQueen e Marc Jacobs.
No entanto, Anna Wintour também foi alvo de críticas por ser vista como autoritária e por falta de diversidade editorial - críticas essas que levaram a Condé Nast a reforçar políticas mais inclusivas nos últimos anos.
Anna Wintour passa o testemunho de editor-chefe da Vogue americana, mas mantém sob alçada a visão global do grupo.
- Noticiário das 20h
- 14 mai, 2026








