Humoristas queixam-se de "tratamento desumano" em Moçambique
21 jul, 2025 - 20:14 • Ricardo Vieira
“Foram momentos muito complicados” e "ainda estamos para perceber o que se passou", afirmaram à chegada a Lisboa. Questionado se poderá ter havido motivações políticas para serem impedidos de entrar em Moçambique, Gilmário Vemba diz que a pergunta deve ser feita ao Governo de Maputo.
Gilmário Vemba, Hugo Sousa e Murilo Couto consideram que receberam “tratamento desumano” no aeroporto de Maputo, em Moçambique. Garantem que tinham a documentação necessária e questionam se foram impedidos de entrar no país por questões políticas.
Os humoristas falavam esta segunda-feira aos jornalistas, no aeroporto de Lisboa, após terem sido impedidos de entrar em Maputo.
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"O tratamento foi desumano. O aeroporto de Moçambique não tem condições para albergar pessoas. Sendo que nós - portugueses e angolanos - temos isenção de visto, o espetáculo já tinha sido cancelado, não havia risco de fuga”, afirmou Gilmário Vemba, que tem nacionalidade angolana.
Já o humorista português Hugo Sousa admitiu que “foram momentos muito complicados” aqueles vividos no domingo, no aeroporto de Maputo.
Com um sentimento misto de desilusão e bom humor, Gilmário Vemba, de nacionalidade angolana, ainda não percebeu o que aconteceu para terem ficado retidos no aeroporto e não conseguirem entrar em Moçambique.
"Ainda estamos para perceber o que se passou, porque estávamos com todas as condições para chegar e fazer o nosso trabalho. Não é a primeira nem a segunda nem a terceira vez que vou para Maputo fazer este tipo de espetáculos. O ano passado estive lá, com o mesmo produtor e a única coisa nova foram estes dois. Eu estou a desconfiar (risos)”, afirmou Gilmário Vemba.
Motivações políticas?
O artista afirma que "a lei foi mudada em 2022" e que esteve em Moçambique "o ano passado com o mesmo produtor" e não teve "problemas do género". "Há muitos anos que vou a Moçambique fazer espetáculos, nunca me aconteceu isto", reforçou.
Questionado se poderá ter havido motivações políticas para serem impedidos de entrar no país, Gilmário Vemba diz que a pergunta deve ser enderençada ao Governo moçambicano.
"Acho que essa pergunta tem mesmo que se fazer ao Governo de Moçambique, para tentar responder o que aconteceu. Da minha parte, não consigo afirmar que seja isso. Eles alegaram que era por não termos o tal visto de atividade cultural", sublinhou.
Gilmário diz que falou com o líder da oposição moçambicana, Venâncio Mondlane, na sequência do incidente no aeroporto: “Sim, sim. Falei. Tenho vários amigos em Moçambique, o Venâncio é um deles”.
Ainda a processar o que aconteceu no aeroporto de Maputo, Hugo Sousa admite regressar para dar o espetáculo em Moçambique, mas só com garantias que podem entrar.
"Se houver garantias que nada disto acontece outra vez.... Nós andamos um bocadinho por este mundo, e preparamo-nos em todos os países que nada de errado aconteça. Não aconteceu em nenhum país da Europa, Angola, São Tomé, Cabo Verde e não percebemos…", sublinhou Gilmário Vemba.
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