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Afonso Cruz. “O humor feito em contexto artístico não é um crime”

27 jul, 2025 - 13:48 • Maria João Costa

O autor português foi um dos convidados da primeira internacionalização do Festival Utopia. Afonso Cruz falou do poder do humor e dos “tempos obscuros” que vivemos que exigem “caminhar na esperança”.

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O caso que opõe Joana Marques e a banda Os Anjos também chegou à Colômbia. Este sábado numa das conversas promovidas pelo Festival Utopia que está a realizar a sua primeira edição fora de portas, o humor acabou por ser um dos temas abordados.

A conversa que juntou os escritores Afonso Cruz e o colombiano António García Ángel nos Claustro de San Ignacio, na Comfama, em Medellín tinha como temática a “Utopia Europeia”, mas o humor veio à baila.

Perante a pergunta do moderador Bruno Dias Pinheiro, sobre se o humor tem limites, numa alusão ao caso que tem marcado as notícias em Portugal, o escritor Afonso Cruz explicou que na sua opinião “o humor pode ser uma arma muito eficaz”.

Contudo, antes o autor tinha afirmado que considerava que “há um humor - feito em contexto artístico – que, por isso, na maioria dos países, não é um crime”. Perante a mesma questão, António García Ángel explicou que na sua opinião “o humor é uma grande ferramenta contra os políticos, porque mostra as suas carências”.

Para a mesa do diálogo foi também lançada outra questão sobre se “a Utopia deve ser um dever ético”. Afonso Cruz concordou explicando que no seu entender “é uma das formas de fazer caminhar" e considerou "importante ter esperança, mesmo em tempos obscuros”.

“Temos de lutar e fazer algo por esse futuro. Um arqueólogo no Chile disse-me que o pior é o que possamos encontrar no passado. É irónico, porque foi um arqueólogo que me disse que ‘o passado não tem interesse e que só o futuro tem bons exemplos, por isso temos que lutar por esse futuro”, rematou o autor de “Jalan Jalan”.

António García Ángel começou por dizer que “o pessimismo é preguiçoso”. "Se és pessimista é fácil, as razões estão à vista, não tens de trabalhar. Se és otimista, tens de inventar as soluções, tens de as procurar. Vais precisar de mais inteligência, esforço e trabalho. O otimista tem de ser mais inteligente do que o pessimista”, explicou.

A Europa e a Utopia foram também debatidas, com Afonso Cruz a apontar a utopia “como um não lugar". “Não gosto da definição de nação, mas creio na identidade dos povos que tem a ver com sentimentos e não tanto com a ideia de Europa”.

“O que significa ser europeu, o que têm em comum, um italiano ou um sueco? É algo um pouco difícil de dizer” rematou Afonso Cruz. Por seu lado, António García Ángel lembrou que hoje “somos vendedores de utopias de plástico. Isso mata a América latina. Na Europa, as instituições podem ser vetustas, mas são estáveis”, explicou ao público presente na sala. O Festival Utopia termina este domingo em Medellín, na Colômbia.

O Norte de Portugal de visita à Colômbia

Nascido há dois anos em Braga, o Utopía é “um festival que vem do norte de Portugal para a Colômbia”, referiu o comissário colombiano Jerónimo Pizarro na sessão de abertura. Segundo este académico e especialista na poesia de Fernando Pessoa, o Utopia já tem vontade de regressar e expandir mais dias”

“Vimos semear umas sementes com este festival que em 2026 vai aos Açores e que, espero, regresse em 2027 a Medellín”.

Já Paulo Ferreira, diretor e criador do Utopia falou da “história de amor, com muitos anos, que começou, em 2013, quando Portugal foi convidado da Feira do Livro de Bogotá”. Trazer Braga e Guimarães foi uma das apostas.

Nos breves discursos de apresentação, Luís Santos – diretor da Direção-geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas referiu que o festival é como um “espaço que celebra a criatividade e espírito crítico. O Utopia convida a usar os livros como ferramentas de transformação”, explicou.

Diana Rey – responsável do Fundo de Leitura da Colômbia lembrou que estão "apostados no poder transformador dos livros".

"Esperamos que as sementes deste projeto durem mais tempo”. Também a diretora de cultura do Banco de Medellín indicou que a internacionalização do Utopia é a “possibilidade de construir pontes globais para partilhar vozes”. O diretor de eventos de livros de Medellín afirmou a fechar a sessão que espera que “o festival Utopia tenha várias edições aqui”, na Colômbia.

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