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"Challenge Pastel de Nata" viraliza entre japoneses na Expo Osaka

04 ago, 2025 - 06:30 • Maria João Costa

Há uma “corrida” ao pastel de nata na Expo Osaka. A comissária Joana Gomes Cardoso explica que os japoneses estão rendidos à iguaria. O Pavilhão de Portugal já ultrapassou um milhão de visitas, atingiu há dias 18 mil visitantes diários e poderá deixar uma marca no Japão depois do fim da Expo, em outubro.

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Já ultrapassou a barreira de um milhão de visitantes e, há dias, superou as expetativas ao somar 18 mil visitantes num só dia. O Pavilhão de Portugal, na Expo Osaka, no Japão, tem “respondido bem” à procura, porque tem “um tempo de espera menor” do que outros pavilhões, revela Joana Gomes Cardoso.

Em entrevista à Renascença, numa altura em que a Expo Osaka entrou em contagem decrescente para o encerramento em outubro, a comissária-geral de Portugal destaca “os conteúdos muito consistentes” que fazem a atratividade do pavilhão, que “está entre os mais populares”.

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“É algo que surpreende os japoneses, por um lado a proximidade entre Portugal e o Japão e a herança histórica, por outro as palavras comuns”, diz Gomes Cardoso, em entrevista durante numa passagem por Portugal.

A corrida ao pastel de nata

Um dos grandes sucessos tem sido o restaurante de inspiração portuguesa e Atlântica, e, claro, os pastéis de nata. “Há uma corrida diária ao pastel de nata”, assegura Joana Gomes Cardoso, que explica ter sido surpreendida há dias com o “Challenge Pastel de Nata” que está a viralizar nas redes sociais japonesas.

“Existe nas redes sociais japonesas o ‘Challenge Nata’! As pessoas entram na Expo e vão a correr tentar comprar o seu pastel de nata”.

As fornadas são feitas a ritmo diário e “desaparecem”, indica a comissária.

Mas há outro “grande” protagonista, que é o pão-de-Ló, que tem semelhanças com o “castella”, o bolo japonês com origem portuguesa e que é muito apreciado naquelas paragens. Outro dos destaques no restaurante tem sido o polvo.

“O chef José Sousa Botelho é português, mas vive no Japão há mais de 15 anos, conhece o mercado e os produtos. Conseguiu de uma forma muito certeira, diria eu, chegar facilmente a aquilo que os japoneses gostam muito, como o polvo. O polvo à lagareiro e o arroz de polvo têm imensa saída. Os japoneses adoram, sobretudo em Osaka, porque são grandes apaixonados pelo polvo, mas não o conhecem cozinhados desta forma. É algo que causa surpresa e agrado”.

De estômago cheio, os japoneses têm saído do Pavilhão de Portugal agradados com a visita. Quanto aos portugueses, têm sido “mais exigentes”, explica a comissária.

“Não perguntamos as nacionalidades, mas diria que todos os dias aparece um português. Têm vindo até mais portugueses do que imaginava. São os mais exigentes, desde a qualidade do café, até outro tipo de observações, mas a grande maioria tem dito que sente grande orgulho” no pavilhão, afirma Joana Gomes Cardoso.

“Os portugueses estão a descobrir o Japão”

A comissária que em jovem viveu no país do sol nascente acha que “os portugueses estão a descobrir o Japão”. “Era um destino caro, mas agora o iene está baixo”, indica Joana Gomes Cardoso.

“Não ficaria surpreendida que daqui a uns tempos tivéssemos mais turistas japoneses, mais estudantes japoneses e mais negócios e empresas do Japão” em Portugal, refere a comissária como desejo futuro depois da Expo.

Joana Gomes Cardoso, que diz ter ficado “surpreendida” com os “os indicadores baixos” no que toca a dinâmica económica entre Portugal e Japão, considera que esta presença em Osaka “já está a dar frutos”.

“Esta presença, em articulação com a Embaixada, acredito que deixe frutos”, sublinha, esclarecendo que só depois da Expo Osaka terminar se irá perceber a dimensão dessas sementes que ficarão a germinar.

Contudo, Joana Gomes Cardoso reconhece que há já exemplos concretos. “A Universidade Nova assinou já protocolos com as Universidades de Osaka, Nagasaki e Tóquio. Inevitavelmente vai deixar algo”, aponta.

Outro caso é de “um português que estava há dois anos a tentar fechar um negócio com uma empresa importadora japonesa para exportar amêndoa. O facto de, através do pavilhão, termos convidado os hipotéticos futuros parceiros, de os termos recebido, ele disse-nos que fechou negócio. Havia um histórico, mas foi a vinda ao pavilhão que selou o negócio”, destaca Joana Gomes Cardoso.

Bandeira da Ucrânia ilumina Pavilhão de Portugal

A ideia é pôr o Pavilhão de Portugal ao serviço”, indica a comissária, que fala das boas relações que têm mantido com os pavilhões vizinhos da Colômbia, Suiça, Bahrain e Canadá. Além dessa “relação próxima e simpática”, Portugal vai também prestar homenagem à Ucrânia.

A propósito do Dia da Ucrânia, esta segunda-feira, no Pavilhão de Portugal haverá um concerto com uma DJ ucraniana e na terça-feira, dia em que se assinala a efeméride na Expo Osaka, o Pavilhão português será iluminado com as cores da Ucrânia.

Afinal, o Pavilhão de Portugal vai “ficar” no Japão

Desenhado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, o Pavilhão de Portugal é constituído por 9 mil cabos marítimos pendurados, fazendo uma alusão às relações oceânicas que ligaram Portugal e Japão noutro século e fazendo referência à temática dos oceanos da Expo Osaka.

Tal como em outras exposições congéneres, a ideia é que as construções dos pavilhões sejam efémeras. Contudo, Joana Gomes Cardoso, não adiantando grandes pormenores, indica que está “a trabalhar com alguns artistas para que os 9 mil cabos marítimos” sejam alvo de uma “intervenção artística que fique no Japão, como um símbolo da presença portuguesa na Expo Osaka”.

Há também “manifestações de interesse de entidades portuguesas” que querem recuperar o pavilhão e instalá-lo em Portugal. Joana Gomes Cardoso considera “possível” fazer uma “recuperação” do pavilhão, mas afasta a ideia de trazer a estrutura toda do Japão. No fundo, seria usar o projeto de Kengo Kuma que é “do Estado” e refazê-lo em Portugal.

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