Espaço
O que será? Hubble revela nova imagem da galáxia NGC 2775 e intriga astrónomos
27 set, 2025 - 12:57 • Ana Kotowicz
A galáxia tem um centro liso e sem características, desprovido de gás. Será a NGC 2775 uma espiral, uma elíptica ou nenhuma das duas?, questiona a NASA.
O Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA, captou uma nova imagem da galáxia NGC 2775, localizada a cerca de 67 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Caranguejo. A estrutura, difícil de classificar, tem características tanto de galáxias elípticas como de espirais. Por isso mesmo, em comunicado, a agência espacial norte-americana questiona: "Afinal, será a NGC 2775 uma espiral, uma elíptica ou nenhuma das duas?"
Na fotografia divulgada, detalha a NASA em comunicado, pode ser visto “um centro liso e sem gás — uma característica típica das galáxias elípticas”. O problema? À volta do núcleo destaca-se “um anel poeirento, salpicado de aglomerados estelares”, que recorda as galáxias espirais e que, por isso, levanta problemas de identidade.
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A incerteza está a levantar debates no seio da comunidade científica. “Como só podemos observá-la a partir de um único ângulo, a resposta não é clara. Alguns investigadores classificam-na como uma galáxia espiral, devido ao seu anel de estrelas e poeira. Outros preferem chamá-la de galáxia lenticular”, explica a nota.
As galáxias lenticulares são híbridos que combinam elementos das espirais e das elípticas, recorda a NASA.
Galáxias mais pequenas terão sido absorvidas
No caso da NGC 2775 — cujas primeiras imagens conhecidas remontam a 2020 —, há indícios de fusões antigas com outras galáxias, esclarece a agência espacial: “Embora invisível na imagem do Hubble, a galáxia possui uma cauda de hidrogénio com quase 100 mil anos-luz de extensão, possivelmente restos de galáxias mais pequenas que foram absorvidas.”
Embora não haja consenso, a NASA afirma que a maioria dos especialistas inclina-se para a uma outra classificação: uma galáxia espiral floculenta. "Estas espirais distinguem-se pelos braços mal definidos, descritos como 'penugens' ou 'mechas' de estrelas que sugerem vagamente uma estrutura espiral", lê-se na nota.
A nova imagem vai além da versão anterior e "acrescenta observações numa faixa específica de luz vermelha emitida por nuvens de hidrogénio associadas a estrelas massivas em formação". Esses brilhos rosados, explica a agência espacial, permitem identificar com mais precisão as regiões onde estão a nascer novas estrelas.
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