Dia Mundial do Coração
Mortes por enfarte agudo do miocárdio continuam a ser "das mais preocupantes"
29 set, 2025 - 07:00 • Catarina Severino Alves
Luís Negrão, médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia, diz à Renascença que, em 2023, morreram 3662 pessoas vítimas desta complicação.
No Dia Mundial do Coração, Luís Negrão, médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia, alerta que o enfarte agudo do miocárdio é uma das doenças cardíacas "mais preocupantes". Em 2023, morreram 3662 pessoas vítimas desta complicação.
Em declarações à Renascença, o cardiologista aponta que, apesar de uma ligeira redução entre 2022 e 2023, é difícil fazer reduzir o número de casos.
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"O enfarte agudo do miocárdio não parece ser uma doença que esteja a diminuir nos últimos anos, por uma razão muito simples - é uma doença que tem a ver com comportamentos, hábitos. (...) Para ter uma ideia, houve uma redução, de facto, de 2022 para 2023, de [morte] de enfarte agudo do miocárdio, de 3906 para 3662. Mas se começarmos a comparar com os números anteriores, esta diminuição não é tão consistente do que seria de esperar", explicou Luís Negrão.
As causas desta condição estão associadas, essencialmente, ao tabagismo, com Luís Negrão a notar que "80% dos indivíduos com menos de 40 anos, que têm um enfarte agudo do miocárdio, são fumadores". Outros fatores a considerar são a má alimentação e a falta de exercício físico.
As pequenas mudanças são "mais consistentes"
No entendimento do cardiologista, o "segredo" para a prevenção está num "trabalho de informação, de alerta e de sensibilização para a mudança de hábitos e de comportamentos", que deve ser feito de "forma sistemática, sem pausas e sem esquecer que (...) o enfarte agudo do miocárdio é um facto".
Luís Negrão fala ainda na importância das pequenas mudanças, que são mais consistentes e acabam por criar novos hábitos, exemplificando com a quantidade de sal na comida.
"Se eu for reduzindo, aos poucos e poucos, (...) a quantidade de sal que eu ponho, vou-me habituando ao novo paladar. Se utilizar ervas aromáticas, especiarias, para disfarçar a falta de sal (...) habituou-me mais facilmente a comer uma comida com menos teor de sal do que habitualmente faria se eu fizesse uma mudança radical", afirmou.
Contudo, o cardiologista sublinha que parar de fumar é o único hábito cuja mudança deve ser radical. "Não vale a pena estar a dizer que vou reduzir", vincou.
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