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Cinema português

"Um verdadeiro libertino". MoMa dedica retrospetiva a João César Monteiro com restauros da Cinemateca

14 out, 2025 - 17:07 • Redação

Filmes premiados como "Recordações da Casa Amarela" (1989), "A Comédia de Deus" (1995) até ao controverso "Branca de Neve" (2000) são algumas das obras do realizador português em retrospetiva, no museu nova-iorquino.

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"Sinfonias de um libertino" é o título da retrospetiva, bem no coração da cidade que nunca dorme, de quase toda filmografia do realizador português João César Monteiro no Museum of Modern Art de Nova Iorque (MoMa).

A exibição de um dos mais influentes diretores de cinema português, segundo o MoMa, começa esta quinta-feira, 16 de outubro, e prolonga-se até 6 de novembro deste ano.

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Guardadas nas coleções da Cinemateca, em Lisboa, as cópias 35mm e novos restauros digitais do catálogo do realizador português são resultado do trabalho desta instituição cultural portuguesa, financiado pelo PRR e programa Next Generation EU.

Protagonista de muitos dos filmes que fez, João César Monteiro terá sido o mais inclassificável dos realizadores do cinema português, um "verdadeiro libertino", como descreve o MoMA, que "subverteu tendências e definições numa obra que, na linha de Erich von Stroheim, se concentra nos mistérios pervertidos do prazer, da decadência e da tradução poética do sublime para a arte".

"Recordações da Casa Amarela" (1989), "A Comédia de Deus" (1995), "As Bodas de Deus" (1999), "Silvestre" (1981) e "Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço" (1970) são alguns dos filmes em retrospetiva no museu nova-iorquino.

"A maior provocação" no espólio do realizador português, refere MoMa, é "Branca de Neve" (2000) e também está presente na exposição. Esta é uma adaptação do "anti-conto de fadas de Robert Walser, composto principalmente por imagens em preto e branco e vozes".

"Um libertino, um santo herege, um iconoclasta ocupa Nova Iorque com filmes que continuam a interpelar, desconcertar e iluminar", recordou a produtora Leopardo Filmes, de Paulo Branco, que produziu e distribuiu a maioria dos filmes de João César Monteiro, em nota de imprensa.

Francisco Valente, crítico de cinema, realizador e assistente de curadoria do Departamento de Cinema do MoMa, o produtor Paulo Branco e a família do realizador foram responsáveis pela organização do evento.

Está também prevista a publicação de um livro com traduções de textos e entrevistas do realizador português.

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