15 out, 2025 - 21:59 • Diogo Camilo
"Gonçalo Sousa não será comentador da RTP": foi com esta frase que o canal de televisão pública comunicou o recuo na escolha do youtuber e influencer para um painel de comentário, depois de ter surgido num vídeo promocional do novo programa da RTP Notícias, "Estado da Arte", apresentado por Alberta Marques Fernandes, que foi entretanto apagado.
Ao Expresso, a RTP esclarece que "ponderou e reviu a sua posição" depois de ter ficado a conhecer “alguns comentários feitos no passado pelo próprio”.
Os comentários em causa são publicações antigas de Gonçalo Sousa, personalidade que faz análise política nas suas redes sociais - onde tem 92 mil seguidores no Instagram e 220 mil subscritores no YouTube.
"Rapaziada, temos de parar de mandar feministas de volta para a cozinha. A maior parte dessas gajas nem para cozinhar serve", escreveu numa delas, enquanto noutra diz que uma 3.ª Guerra Mundial terá um "lado positivo", o de "ver feministas empoderadas nos batalhões da armada em Kiev".
Gonçalo Sousa partilhou ainda publicações negacionistas sobre a Covid-19, na qual diz que vacinas "vão matar mais jovens do que Hitler matou judeus" e que os confinamentos e restrições na pandemia foram "uma fraude".
Uma seleção destas publicações foi partilhada na rede social instagram, à qual a RTP respondeu: "Ao contrário do que esta publicação indica, Gonçalo Sousa não será comentador da RTP."
No entanto, dias antes, o influencer foi apresentado como um dos comentadores do programa "Estado da Arte", ao lado de Joana Marques Brás, com quem também faz comentário político num podcast da rádio Observador, e Rodrigo Moita de Deus, com moderação de Alberta Marques Fernandes.
O mesmo programa passa agora a ter como comentadores Susana Peralta e Henrique Pinto Mesquita.
Gonçalo Sousa, além dos vídeos de análise política, chegou a ser militante do Chega, tendo sido candidato pelo partido de André Ventura nas autárquicas de 2021, onde estava na lista como número dois à Câmara Municipal de Oeiras.
Nas legislativas de 2024, o influencer integrou a lista do Chega em Lisboa, mas não foi eleito deputado e, depois das eleições, anunciou a sua saída, discordando do rumo que o partido estava a tomar.
Devido à polémica, o Conselho de Redação da RTP já pediu uma reunião “com caráter de urgência” ao diretor de informação, Vítor Gonçalves, “com vista ao cabal esclarecimento do assunto”, mostrando-se preocupado com o impacto que a decisão tem na "credibilidade e na perceção pública" do canal e pedindo que a RTP "mantenha os mais elevados padrões de exigência".