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Autora Lionel Shriver considera dependência da inteligência artificial uma catástrofe

19 out, 2025 - 19:38 • Lusa

Para Shriver, "a linguagem é uma via maravilhosa para a criatividade" e a "expressão e é uma ferramenta maravilhosa".

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A jornalista e escritora norte-americana Lionel Shriver considerou este domingo uma catástrofe que as crianças estejam a ser educadas numa forte dependência da inteligência artificial e que pode levar à morte da língua. .

"Estou muito preocupada com a questão das crianças que estão a ser educadas hoje em dia já fortemente dependentes da inteligência artificial (IA), que escreve para elas", afirmou a escritora, considerando que "isto é uma catástrofe".

Na última mesa do Fólio - Festival Literário Internacional de Óbidos, a autora sustentou que, com esta dependência as crianças "não estão a aprender a escrever, não estão a aprender a pensar", porque "colocar pensamentos em palavras é pensar".

Para Shriver, "a linguagem é uma via maravilhosa para a criatividade" e a "expressão e é uma ferramenta maravilhosa".

"Se os nossos filhos não aprenderem a escrever, não vão realmente compreender a própria língua", alertou a jornalista e escritora.

E isso, lamentou, "é a morte da linguagem".

Oradora numa mesa sobre o tema "Morte", a escritora falou sobre a morte nos seus livros, tema que em "Vamos ou Ficamos" trata de forma mais leve e divertida, mas noutras obras aborda mais seriamente, do ponto de vista de como "o leitor experiencia a morte, através da morte do personagem".

"A mortalidade é muito útil para a escrita de ficção, sem isso os romances não iam funcionar", disse a escritora que debateu o tema com Rui Cardoso Martins, autor de "As melhoras da morte".

"A morte nunca é metafórica quando nos morre alguém", afirmou o autor, assumindo que, mais do que a sua própria morte, o preocupa a morte dos seus.

A morte, que "está em quase todas as grandes obras", segundo estes autores, foi o tema desta última mesa de autores do festival, que hoje encerra na vila.

A conversa devia ter contado também a com a participação do Nobel de Literatura deste ano, László Krasznahorkai, mas o escritor húngaro cancelou a presença no festival, por motivos de saúde, de acordo com a organização.

Krasznahorkai seria o terceiro laureado com o Nobel da Literatura a participar na edição que assinala os 10 anos do Fólio, levando à vila, do distrito de Leiria, cerca de 800 autores.

Nas 15 mesas de autores, que decorreram desde 09 de outubro, participaram dois outros prémios Nobel, a escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, galardoada em 2015, e o autor sul-africano J. M. Coetzee, distinguido em 2003.

Organizado pelo município de Óbidos, em parceria com a empresa municipal Óbidos Criativa, a livraria Ler Devagar e a Fundação Inatel, o Fólio realiza-se desde 2015 na vila classificada como Cidade Criativa da Literatura pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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