30 out, 2025 - 07:00 • Maria João Costa
O escritor Ondjaki apareceu num dos ensaios da Companhia Cegada e deu aos atores carta branca para trabalhar o livro que em 2013 lhe valeu o Prémio Saramago. O resultado sobe ao palco do Teatro Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca, sexta-feira e vai ficar em cena até 16 de novembro.
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Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, a encenadora Manuela Paulo fala da atualidade do texto que traça um retrato da sociedade angolana, em particular da cidade de Luanda, a partir do microcosmos dos habitantes de um prédio.
“Este livro saiu há uns 10 anos, mas quando nos sentamos à volta da mesa para os ensaios concluímos que continua a ser atual”, refere. “Fala desta Angola das discrepâncias sociais e das pessoas humildes que se apoiam - os tais transparentes - que, mesmo dentro da dificuldade se apoiam” conta Manuela Paulo.
Nas palavras da encenadora é uma história que “é muito Angola”. “É a história de um prédio em que todos os vizinhos se apoiam nas adversidades. Mesmo nos momentos complicados festejam juntos e riem juntos”, sublinha.
Com dramaturgia de Marta Dias, “Os Transparentes” conta em palco com um elenco exclusivamente angolano com interpretação de Anílson Eugénio, Eduarda Oliveira, Kássia Laureano e Kévin Cassule.
São atores que segundo a encenadora têm “propriedade sobre esta cultura e esta norma angolana” em que Ondjaki escreve. “Acho que foi essa a proposta da Cegada para uma maior honestidade artística”, explica Manuela Paulo.
No texto o humor e a ironia cruzam-se neste retrato de uma sociedade angolana cheia de contrastes. “Temos Angola das questões políticas mal resolvidas, temos Angola das tragédias discrepantes e temos sobretudo Luanda”.
A cidade é de resto o cenário da peça. “É uma cidade muito fervilhante e tentei encontrar esse fervor, essa passagem da felicidade total para a tristeza e para o abismo de um dia para o outro. É muito característico do ambiente de África e de Luanda, porque é uma cidade com muita gente, muito confusa e acho que isso está latente no livro e está presente na nossa peça”, diz Manuela Paulo.
Depois do palco do Teatro Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca, a peça vai entrar em digressão. Primeiro irá a Zaragoça, depois a Badajoz, e vai passar ainda pelas cidades portuguesas da Covilhã e Lagos.
Em Alverca até 16 de novembro as sessões são de quinta-feira a sábado, às 21h00 e aos domingos às 16h00.