Ouvir
  • Noticiário das 5h
  • 09 dez, 2025
A+ / A-

Cultura

“Os Transparentes”. Livro de Ondjaki chega ao palco do teatro

30 out, 2025 - 07:00 • Maria João Costa

“Os Transparentes” que deu ao escritor angolano Ondjaki em 2013 o Prémio Saramago sobe ao palco a partir de sexta-feira em Alverca. A Companhia Cegada optou por um elenco integral de atores angolanos

A+ / A-

O escritor Ondjaki apareceu num dos ensaios da Companhia Cegada e deu aos atores carta branca para trabalhar o livro que em 2013 lhe valeu o Prémio Saramago. O resultado sobe ao palco do Teatro Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca, sexta-feira e vai ficar em cena até 16 de novembro.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, a encenadora Manuela Paulo fala da atualidade do texto que traça um retrato da sociedade angolana, em particular da cidade de Luanda, a partir do microcosmos dos habitantes de um prédio.

“Este livro saiu há uns 10 anos, mas quando nos sentamos à volta da mesa para os ensaios concluímos que continua a ser atual”, refere. “Fala desta Angola das discrepâncias sociais e das pessoas humildes que se apoiam - os tais transparentes - que, mesmo dentro da dificuldade se apoiam” conta Manuela Paulo.

Nas palavras da encenadora é uma história que “é muito Angola”. “É a história de um prédio em que todos os vizinhos se apoiam nas adversidades. Mesmo nos momentos complicados festejam juntos e riem juntos”, sublinha.

Com dramaturgia de Marta Dias, “Os Transparentes” conta em palco com um elenco exclusivamente angolano com interpretação de Anílson Eugénio, Eduarda Oliveira, Kássia Laureano e Kévin Cassule.

São atores que segundo a encenadora têm “propriedade sobre esta cultura e esta norma angolana” em que Ondjaki escreve. “Acho que foi essa a proposta da Cegada para uma maior honestidade artística”, explica Manuela Paulo.


No texto o humor e a ironia cruzam-se neste retrato de uma sociedade angolana cheia de contrastes. “Temos Angola das questões políticas mal resolvidas, temos Angola das tragédias discrepantes e temos sobretudo Luanda”.

A cidade é de resto o cenário da peça. “É uma cidade muito fervilhante e tentei encontrar esse fervor, essa passagem da felicidade total para a tristeza e para o abismo de um dia para o outro. É muito característico do ambiente de África e de Luanda, porque é uma cidade com muita gente, muito confusa e acho que isso está latente no livro e está presente na nossa peça”, diz Manuela Paulo.

Depois do palco do Teatro Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca, a peça vai entrar em digressão. Primeiro irá a Zaragoça, depois a Badajoz, e vai passar ainda pelas cidades portuguesas da Covilhã e Lagos.

Em Alverca até 16 de novembro as sessões são de quinta-feira a sábado, às 21h00 e aos domingos às 16h00.

Ouvir
  • Noticiário das 5h
  • 09 dez, 2025
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+