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Criadora da primeira "atriz IA" não quer roubar empregos a Hollywood

11 nov, 2025 - 18:36 • Daniela Espírito Santo

Eline van der Velden criou Tilly Norwood e colocou Hollywood em alvoroço. Na Web Summit, assegura que a sua criação vem ajudar a indústria e até já sonha com uma categoria própria nos Óscares.

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Atores IA: vão criar ou roubar emprego?
Atores IA: vão criar ou roubar emprego?

A cara de Eline van der Velden até pode parecer familiar a quem a vê em palco, mas esta atriz é, hoje, bem mais conhecida por outros motivos: é a fundadora e CEO da Particle6 Productions, responsável pela primeira atriz inteiramente gerada por Inteligência Artificial (IA), Tilly Norwood.

Num dos inúmeros palcos da Web Summit, esta terça-feira, Van der Velden não fugiu a nenhuma questão, nem quando a Renascença lhe perguntou se estava à espera da reação negativa de Hollywood.

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"Claro que não queria incomodar ninguém, mas acho que há muita desinformação e há quem ache que a Tilly vai roubar os empregos dos atores. A Tilly nunca tirou o emprego de ninguém", admite.

Tilly Norwood causou muita celeuma quando foi apresentada oficialmente em setembro, altura em que se ficou a saber que parece tão real que várias agências a quiseram logo representar. Já os atores de carne e osso não ficaram tão felizes com as suas capacidades.

"Estamos a tentar ajudar a indústria"

"Compreendo o medo dos atores. Eles veem algo tão realista e pensam: 'Meu Deus, ela pode roubar-me o emprego'. Na verdade, estamos a tentar ajudar a indústria tradicional do cinema e televisão ao reduzir orçamentos, fazendo algumas filmagens com IA para que mais projetos possam ser aprovados e, na verdade, mais atores possam trabalhar", diz Van der Velden. "Na verdade, ela está a criar empregos", repete.

A polémica, no entanto, ajudou a acelerar a fama de Tilly, criada por uma pequena equipa de menos de 20 pessoas.

"Não estávamos à espera de tanto sucesso, não foi isto que esperávamos. Mas acho que, realmente, todas as estrelas de Hollywood ajudaram a carreira de Tilly", assegura Van der Velden, que admite ter demorado cerca de seis meses a construir Tilly Norwood, entre "prompts" (ou "diretivas") e modelos de linguagem (LLM).

"É como construir uma boneca da Barbie"

Tilly Norwood, garante a criadora, não é uma imitação de nenhuma atriz em específico, sendo um conjunto de várias imagens - incluindo de Van der Velden - usadas para a treinar. "Eu também sou atriz. Ela não foi criada para competir com atores reais", admite a atriz, conhecida por ter criado a personagem "Miss Holand", uma "espécie de Borat" que chegou a render-lhe um contrato com a BBC.

"Eu adoro criar personagens. Criar [a Tilly] é um pouco como construir uma boneca da Barbie", defende, admitindo que a melhor parte foi mesmo decidir "como é que ela se vai parecer, o que vai pensar, quais as suas emoções ou qual o seu sentido de humor".

Hoje em dia, e num curto espaço de tempo desde que foi criada, já improvisa. "Estamos no processo de desenvolver a sua personalidade, o seu 'cérebro', pelo que ela já improvisa e vamos ver se ela consegue brevemente ser autónoma".

Atores IA nos Óscares?

Tilly até pode ser a primeira, mas não será, certamente, a única. "Temos planos para desenvolver mais 40 atores até ao próximo ano, uma espécie de universo de personagens como na Marvel". "E, se tudo correr bem, eles vão interagir", acrescenta, sugerindo até um mundo em que atores IA possam concorrer a um Óscar, mas em nome próprio.

"Adoraria que houvesse uma categoria de atores de IA nos Óscares, para que não competissem com atores reais nem com o cinema tradicional. O género IA é um género de cinema totalmente novo e espero que, um dia, seja visto como é vista a animação. É uma forma de arte diferente", justifica.

Mortos que renascem, "gémeos" virtuais e programas de televisão

Os limites éticos não lhe escapam: Eline van der Velden assegura já ter recebido propostas para trazer atores falecidos de volta ao mundo da sétima arte, mas ainda não tomou uma decisão sobre isso. "Eles, antes de morrerem, não autorizaram, mas acredito que, no futuro, passe a fazer parte de um testamento, por exemplo", diz.

Para já, a empresa deverá ficar-se apenas por ajudar atores famosos a criar "gémeos virtuais" para facilitar filmagens, "especialmente de atores mais velhos" ou com limitações físicas. "Consigo imaginar imensos cenários em que é mais seguro ter um ator AI do que um real num set", exemplifica.

No entretanto, Tilly continua a rejeitar ofertas "para trabalhar em filmes reais". "Não é esse o objetivo", assegura. Pelo caminho, e já em 2026, Tilly vai é ter um programa de televisão. Pouco foi dito sobre esta novidade, mas a criadora garantiu que, quem passar esta quarta-feira pelo palco 15 da Web Summit vai poder ver em exclusivo novas imagens desta atriz virtual.

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