17 nov, 2025 - 23:08 • Redação
Um volume de plástico equivalente a três cubos de açúcar é suficiente para morrer uma ave marinha comum, como uma gaivota, confirmou o estudo da publicação cientifica "Proceedings of the National Academy of Sciences" divulgado esta segunda-feira. Quando tartarugas, aves e mamíferos marinhos ingerem plástico, essa substância aloja-se no intestino do animal e aumenta as probabilidades de morte.
Ao estudar mais de dez mil autopsias da vida selvagem marinha, os investigadores perceberam que "a dose letal é muito menor do que se pensa – o que é preocupante se considerarmos que mais do que o equivalente a um camião do lixo de plásticos entra no oceano a cada minuto", garantiu a autora principal do estudo, Erin Murphy.
Um em cada cinco dos animais autopsiados tinha ingerido plásticos, na sua maioria, de tipos variados.
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Se tais quantidades podem constituir uma "dose fatal" para um papagaio-do-mar por exemplo, outras espécies da vida marinha de maiores portes têm de ingerir porções superiores.
Por exemplo, ingerir plástico equivalente a duas bolas de ténis mata tartarugas marinhas e correspondente a uma bola de futebol mata mamíferos marinhos como a toninha-comum, um mamífero da família das baleias com não mais do que um metro e meio de comprimento.
Estes casos de ingestão de plástico por estas espécies marinhas representam uma probabilidade de 90% de mortalidade. O estudo relembra, por isso, que o plástico é perigoso tanto para animais de porte pequeno ou grande no mar ou rio.
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Quase metade (47%) das tartarugas, um terço (35%) das aves marinhas e 12% dos mamíferos marinhos tinham plásticos no sistema digestivo no momento da morte, segundo o que o estudo apurou.
"Sabemos há muito tempo que criaturas oceânicas de todas as formas e tamanhos estão a ingerir plásticos; o que quisemos compreender foi quanta quantidade é demais", afirmou Erin Murphy.
De acordo com o estudo, a borracha e os plásticos rígidos são especialmente mortais para as aves marinhas, enquanto os plásticos rígidos e flexíveis são letais para as tartarugas marinhas. Já os plásticos flexíveis e equipamentos de pesca para os mamíferos marinhos.
Quase metade dos animais autopsiados estão na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
O estudo analisou apenas os impactos da ingestão de macroplásticos (maiores do que cinco milímetros). Ou seja, não contabilizou a morte por emaranhamento nem a ingestão de microplásticos.
A diretora da organização norte-americana "Ocean Conservancy", Anja Brandon, apelou ainda no mesmo estudo para o voluntariado na recolha de lixo nas praias. "Quando apanha apenas algumas peças de plástico, está-se a ajudar a proteger a vida de um animal marinho. E quando todos limpamos juntos, ajudamos a proteger inúmeras vidas."