25 nov, 2025 - 16:22 • Lusa
A população de lince ibérico teve um "crescimento espetacular" na última década, mas a espécie continua ameaçada, alertou esta terça-feira o coordenador do programa de conservação do felino LIFE Lynx Connect, Javier Salcedo. O número total de animais passou de menos de 100 em 2002 para mais de 2.400 em 2024.
"É preciso continuar a trabalhar. O crescimento da população foi espetacular, estamos mesmo surpreendidos com os resultados, mas o lince continua a estar em perigo, ameaçado", disse Javier Salcedo, quando faltam poucos meses para o fim do LIFE Lynx Connect, o quarto programa de conservação do lince ibérico financiado pela União Europeia (UE).
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O número de linces na Península Ibérica aumentou 19% em 2024 e alcançou os 2.401 animais, segundo o censo anual realizado pelas entidades espanholas e portuguesas que integram o projeto de recuperação da espécie, revelado em maio.
O censo de 2024 identificou 1.557 linces adultos, dos quais 470 são fêmeas reprodutoras, mais 64 do que em 2023.
Os responsáveis e cientistas do projeto LIFE LynxConnect, de recuperação do lince ibérico, que esteve à beira da extinção no início deste século, consideram que para alcançar um "estado de conservação favorável" será necessário chegar a entre 4.500 e 6.000 indivíduos, com pelo menos 1.100 fêmeas reprodutoras.
No ano passado, a espécie deixou de ser classificada como "em risco" para passar a "vulnerável" na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
O primeiro projeto LIFE para o lince ibérico arrancou em 2002 e o atual teve como referência a palavra "connect", por ter entre os objetivos promover a ligação entre as populações já instaladas em diversas zonas da Península Ibérica, de forma a "criar uma meta população genética e demograficamente funcional".
O projeto de recuperação e conservação do lince ibérico passou, numa primeira fase, pela reprodução em cativeiro, com os primeiros animais a serem libertados na natureza em 2011. Desde então e até 2014 foram libertados 403 animais nascidos em cativeiro.
Após a reintrodução da espécie na natureza, a população de linces reproduziu-se e espalhou-se já numa área de quase mil quilómetros quadrados no Vale do Guadiana, na região do Baixo Alentejo. "Só temos uma população em território português, mas muito grande", disse esta terça-feira o biólogo Pedro Sarmento, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), em declarações à Lusa em Sevilha, Espanha
Entre os outros desafios para o futuro, Javier Salcedo referiu, a necessidade de procurar as causas para 60% dos linces preferirem estar em territórios "humanizados", com maiores ameaças, e fora de áreas protegidas como as da Rede Natura 2000.
Javier Salcedo destacou a elevada mortalidade de animais devido a causas não naturais, como os atropelamentos em estradas ou a perseguição ilegal. No ano passado, morreram também 214 linces, 162 deles por atropelamento em estradas.
O projeto de recuperação e conservação do lince ibérico envolve diversas entidades públicas e privadas em Portugal e Espanha. Em Portugal, a coordenação cabe ao ICNF.