28 nov, 2025 - 23:05 • Maria João Costa
Não é uma exposição antológica ou retrospetiva. Mas sim, uma exploração das investigações espaciais da dupla de arquitetos Aires Mateus. “Beleza apesar de tudo” abriu ao público esta sexta-feira, na Ala Álvaro Siza, no Museu de Serralves, no Porto, e reúne um conjunto de obras criadas por Manuel e Francisco Aires Mateus.
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Em entrevista ao programa Ensaio Geral, da Renascença, Manuel Aires Mateus reflete sobre o atual estado da arquitetura e diz que é uma disciplina pela qual é preciso lutar.
“Arquitetura é muitas vezes confundida com a construção”
“A arquitetura é a poética da construção. Não é a construção”, define Aires Mateus que faz um diagnóstico: “Acho que a arquitetura é sempre uma disciplina pela qual é preciso lutar”.
“Tenho a impressão de que sempre foi. Muito raras vezes foi bem tratada, muito raras vezes foi acarinhada. E de facto esta ambiguidade entre o que é construir e o que é que a arquitetura criou sempre um grande desinteresse em relação à ideia dessa possibilidade mais elevada que é a arquitetura”, sublinha.
É neste registo de luta pela arquitetura que o atelier desempenha o seu trabalho. Esta dupla de arquitetos preocupa-se com a dimensão da beleza.
“É fundamental essa beleza, porque o encontro de um lado poético ou emotivo em cada um dos espaços que nós vamos usar torna o mundo melhor, porque nós temos uma condição mais elevada e soluções para cada um dos problemas práticos. E a arquitetura tem que responder a isso”, refere Manuel Aires Mateus.
A exposição reúne vários projetos que os irmãos Aires Mateus fizerem quer em Portugal, quer pelo mundo. A exposição, explica o arquiteto, começa com uma “espécie de jardim”, onde as “flores” são as maquetas de vários projetos.
“Depois o visitante passará para uma sala onde falamos da matéria. Temos quatro edifícios, um construído em madeira, um em tijolo, um em betão e um outro rebocado de branco. O que nos interessa é um pouco esta ideia de que no fundo, a construção é um resultado de um processo”, diz Aires Mateus.
Em Serralves, o visitante vai também poder ver “uma confrontação com culturas clássicas”, explica o arquiteto, que dá como exemplos os projetos “que respondem ao Egito, ao mundo clássico Romano, outras culturas árabes e uma arquitetura moderna”.
Surgem projetos que fizeram em várias paragens do mundo. “Um museu na Suíça, um museu em França, uma universidade na Bélgica, um museu em Sines”, são, nas palavras de Manuel Aires Mateus, “peças que dialogam com cidades”.
Mas há mais projeto espalhados por vários continentes. “Na Oceânia temos uma casa em Melbourne, na Ásia, temos uma casa em Deli, em África, temos uma casa na ilha do Fogo, em Cabo Verde, na América, temos uma casa no México e na Europa temos uma casa na Costa Alentejana”. “Interessa-nos esta ideia de olhar para a arquitetura como uma forma de olhar o mundo”, remata Aires Mateus.
Este planeta Aires Mateus é mostrado até 19 de abril, nesta exposição em Serralves que conta com curadoria de Nuno Crespo.