28 nov, 2025 - 09:39 • Redação
A edição deste ano da Mostra Estufa vai servir de mote para assinalar o 20.º aniversário da companhia de circo contemporâneo Erva Daninha.
A mostra, dividida em três momentos, vai decorrer no Teatro Municipal do Porto (Campo Alegre) esta sexta-feira e sábado.
Vasco Gomes, da direção artística, explcia à Renascença que "o primeiro projeto é no Grande Auditório, com o público", num momento chamado "Infinito", protagonizado por três intérpretes e onde a audiência "está li, em 360 graus, bem perto".
Os artistas, todos estrangeiros residentes em Portugal, cruzam "a acrobacia aérea com a ciência", trabalhando "o conceito de infinito" com um astrofísico para dar a ideia de "um universo misturado com a luz, o som e o vídeo".
O segundo momento, "Diaphana", acontece no Café Teatro e é interpretado por uma artista que se equilibra em copos e garrafas de vidro. "No fundo, trata-se de uma pessoa que está sozinha, numa mesa com uma cadeira que está vazia. Não tem companhia e tem muitas garrafas vazias: já passou ali muito tempo, sente-se o peso do tempo e alguma quase embriaguez de estar", explica Vasco Gomes.
A ideia é tratar, desta forma, "a questão da solidão e onde é que essa solidão nos pode levar, às vezes, na nossa cabeça ou fora da cabeça”.
Voltamos ao Grande Auditório para o último momento do espetáculo, batizado de "Lutum", que quer provocar uma relação “mais grotesca, mais crua e mais dura com o corpo, com a doença, com a ferida".
"Sentimos que é um projeto mesmo muito importante e muito pertinente porque é interpretado por uma artista trans que quer tratar toda esta questão do corpo e da sexualidade, mas sem perder a relação com o circo”, explana Vasco Gomes.
Os bilhetes para assistir aos espetáculos da 8.ª edição da Mostra Estufa custam sete euros e só estão disponíveis para pessoas com idade igual ou superior a 16 anos.
“Folhas Para Contrariar a Gravidade”
Além da Mostra Estufa, a companhia de circo faz a publicação do seu primeiro livro, também este sábado. “Folhas para Contrariar a Gravidade” é um livro de memórias fotográficas dos bastidores dos 20 anos de história da Erva Daninha.
A diretora artística, de programação e técnica, Julieta Guimarães, explica que se decidiu abordar os bastidores porque "acabam por ser sinónimo do caminho artístico fora do convencional" da companhia circense.
"Decidimos, por isso, não colocar fotografias de cenas, nem dos nossos espetáculos e programações", diz a responsável, adiantando que a obra é, assim, formada, maioritariamente, por "imagens de encontros, de pessoas, de investigações, de ensaios e de visitas a espaços para procurar matéria para os espetáculos".
A companhia Erva Daninha foi criada em 2005 por um grupo de alunos da Escola Superior de Música e Artes de Espetáculo, no Porto, que tinham vontade de criar um espetáculo relacionado com o circo e pensaram que, ao criarem uma associação, teriam "mais dinheiro para fazer espetáculos".
"Estávamos muito enganados. Não conseguimos reunir mais fundos”, lamenta a diretora artística.
Aliás, e depois de 20 anos de história, Julieta ainda acha "incrível a sensação de insegurança" financeira.
"Nós nunca temos segurança, nunca estamos seguros. Estamos sempre sujeitos às relações institucionais que temos", desabafa.
"Há sempre uma instabilidade, só que cada vez com mais responsabilidade."
“A história obriga a reinventarmo-nos sempre e isso, às vezes, pode trazer alguma frustração, porque se perdem coisas”, remata.