Óbito
Morreu Olga Cardoso, voz histórica da Renascença
03 dez, 2025 - 11:52 • Fábio Monteiro
Morreu Olga Cardoso, aos 91 anos. Comunicadora incontornável da rádio e televisão portuguesas, foi voz do programa Despertar da Renascença, em parceria com António Sala, e a apresentadora do concurso A Amiga Olga, na TVI.
[Atualizado às 14h45]
Morreu esta quarta-feira Olga Cardoso, uma das figuras mais queridas e emblemáticas da comunicação social portuguesa. Tinha 91 anos. Foi locutora de rádio, apresentadora de televisão, atriz de teatro radiofónico e, acima de tudo, uma voz inesquecível para milhões de portugueses. A notícia foi confirmada à Renascença por fontes familiares.
A antiga locutora sofreu na terça-feira um AVC e estava internada no Hospital de Santo António, no Porto.
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Natural de Miragaia, no Porto, nasceu a 7 de julho de 1934. Estreou-se aos 15 anos nas radionovelas da ORSEC (Oficinas de Rádio, Som, Eletricidade e Cinema). Fez depois carreira na Rádio Porto e Rádio Clube do Norte, até entrar na Rádio Renascença em 1964. Foi aí que encontrou a sua casa profissional e onde se tornaria uma referência nacional.
A voz das manhãs
Durante mais de duas décadas, foi a voz feminina do Despertar, primeiro com Fernando de Almeida, depois com António Sala. A dupla — ela no Porto, ele em Lisboa - criou uma sintonia perfeita. O programa, transmitido ao vivo e sem rede, conquistou uma legião de ouvintes e tornou-se um fenómeno nacional.
“O António tornou-se o irmão que nunca tive. Tínhamos uma ligação tão natural que as pessoas achavam que estávamos juntos na mesma cabine”, recordou em entrevista ao jornal "i" em 2012.
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Fizeram emissões especiais em Viena, Macau, Sevilha, no Castelo de São Jorge, a bordo de submarinos, em aviões e em barcos. Chegavam a encher a Avenida dos Aliados com ouvintes que acampavam para os ver ao vivo. “Muitas vezes, fazia o programa de robe. Acordava em cima da hora e subia a correr para o estúdio.
Era tudo verdade, nada encenado”, contou. A cada semana, Olga recebia mais de 100 cartas. Muitas vinham de ouvintes apaixonados pela voz. Em 1999, saiu da Renascença. Voltaria apenas brevemente à antena, por insistência de António Sala, para apresentar o programa Clássicos da Renascença, durante alguns meses.
A estreia em televisão
Em 1993, Olga Cardoso estreia-se em televisão, com 59 anos, como apresentadora do concurso A Amiga Olga, na recém-criada TVI. O formato pedia que os concorrentes conversassem com ela durante um minuto sem dizerem “sim” ou “não”. Ao mínimo deslize, soava o gongo dourado.
O programa, de origem britânica, foi um dos primeiros concursos da estação e rapidamente se tornou popular. Gravava-se aos fins-de-semana, oito episódios por dia. “Foi muito trabalhoso, mas adorei”, contou.
Na mesma época, ainda apresentou um programa de anúncios publicitários. Mas não voltaria à televisão com a mesma visibilidade.
Uma vida plena
Foi casada durante 37 anos com Virgílio Falco, com quem teve três filhos. Era avó de quatro netas e, até recentemente, ainda viajava com a mais velha, Inês. Viveu os últimos anos em Coimbra.
Em 2015, aos 80 anos, foi-lhe diagnosticada doença de Parkinson. Revelou publicamente o diagnóstico numa entrevista a Manuel Luís Goucha, em 2022. “Leio imenso, só faz bem para a cabeça não parar”, afirmou.
Já com mobilidade reduzida, mantinha o bom humor e a ligação à família. “A minha maior dificuldade é andar sozinha na rua. Tenho de ter uma pessoa no meu braço”, disse.
Durante anos, acalentou o sonho de saltar de pára-quedas. A possibilidade foi-lhe oferecida num programa de televisão, mas acabou por não o concretizar por razões médicas.
"Uma voz real" que foi "um marco histórico"
Para António Sala, companheiro de aventura no programa "Despertar" a "amiga Olga" foi símbolo de "positividade" e dona de "um sorriso real e gargalhada cativantes".
À Renascença, o locutor admite estar "de coração partido" com a perda "daquela que foi a sua companheira durante décadas, nas manhãs da rádio".
Já o diretor-geral de produção da Renascença, recorda Olga Cardoso como "uma pessoa muito importante para a Rádio Renascença e também para a rádio em Portugal".
Pedro Leal lembra que Olga Cardoso como uma pessoa "agradável, simpática, de fácil trato, extremamente acessível e atenciosa para com os outros".
Esta tarde, aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa recordou Olga Cardoso como “uma figura notável do Norte e da rádio portuguesa”.
“Eu conhecia muito bem a Olga Cardoso, que é uma figura aqui do Porto, do Norte, e que foi, conjuntamente com António Sala, mais do que uma apresentadora, foi uma companheira diária da vida de muitos milhares de ouvintes da rádio. Era uma figura notável como profissional e como pessoa, que cativava os portugueses numa altura em que a rádio tinha um peso muito influente na vida de todos nós”, declarou.
A cerimónia fúnebre da radialista vai acontecer na Igreja da Lapa, no Porto, na quinta-feira.
O velório vai ter lugar na capela do Centro Funerário da Lapa a partir das 10h00 de quinta-feira, seguindo-se o funeral às 15h00 e, depois, a cremação.
- Noticiário das 21h
- 13 jun, 2026












