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Cultura

“Desequilíbrio? Não, é tudo teatro!”Como a Companhia Maior engana a velhice

05 dez, 2025 - 13:07 • Maria João Costa

“A esta hora, na infância neva” são os versos do poeta Manuel António Pina que dão título à nova criação da Companhia Maior. Desta vez, esta companhia de artistas seniores é posta a dançar pelo encenador Vitor Hugo Pontes. O espetáculo estreia dia 7 no CCB, mas irá também a Ponta Delgada, Barcelos, Vila Real, Loulé e Braga.

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Em palco, o intérprete mais velho tem 92 anos. Ele é o espelho da vitalidade da Companhia Maior que regressa ao palco dia 7 de dezembro, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) com o espetáculo “A esta hora, na infância neva”.

Tal como em criações anteriores, a Companhia Maior trabalha com um novo criador. Desta vez, foi o encenador Vitor Hugo Pontes o convocado, mas não é para ele uma estreia, já que no passado trabalhou com esta companhia, mas não como encenador

Ao Ensaio Geral, da Renascença explica que o “primeiro contacto com esta companhia aconteceu em 2013. Era assistente do Nuno Cardoso e ele dirigiu ‘A Visita da Velha Senhora’”. Pontes recorda que, então, era “responsável pelo movimento”.

Nasceu aí “uma proximidade muito grande com os intérpretes” e ficou também “uma vontade muito grande de dirigir um espetáculo” inédito com esta companhia, diz Vitor Hugo Pontes.

O espetáculo que agora leva à cena até dia 11 de dezembro no CCB, é essencialmente um espetáculo de dança e movimento, pontuado pela música tocada ao vivo por Du Nothin (Duarte Appleton).

Em palco, os artistas da Companhia Maior que Vítor Hugo Pontes selecionou para este trabalho confrontam-se com memórias de infância e juventude. Além dos intérpretes seniores, este espetáculo é marcado por um encontro de gerações, já que conta também com um grupo de bailarinos jovens e um grupo de crianças.

“Acima de tudo, é uma reflexão de como é que vamos envelhecendo. Como é que vamos passando pela vida ou a vida vai passando por nós e de que certa forma vamo-nos tornando mais puros com o passar da idade”, indica Vítor Hugo Pontes.

O encenador diz que sente que “a velhice é muito próxima da infância, na medida em que nos tornamos muito mais autênticos. Retiramos muitos dos filtros que vamos construindo”.

Esta companhia criada em 2010 com a missão de promover a criatividade na idade maior respondeu aos desafios de Vítor Hugo Pontes. Mesmo quando dói um joelho ou há um desequilibro, reagem bem diz o encenador.

“É muito fácil trabalhar com eles, porque eles já têm experiência. No início dos ensaios, há coisas que se vão levantando, mas é estar atento, porque a resistência não é a mesma”, diz Pontes.

Num espetáculo em que o ritmo é acelerado, que exige um trabalho de memória, mas também físico a estes artistas de idade maior, por vezes há situações não previstas. “Eu começo a senti-los a respirar e começo a ficar um bocado preocupado, mas eles não. Ainda hoje foi muito curioso porque a certa altura, um deles ia desequilibrando-se e eu achei que ele ia cair e ele diz-me: “Estou em cima do palco. É tudo teatro!” e, eu, “Boa é mesmo isso!”

É “sem dúvida uma experiência muito enriquecedora”, confessa Vitor Hugo Pontes, o encenador cujo nome já foi anunciado como o próximo diretor artístico do Teatro São João, no Porto.

“Estas pessoas têm uma experiência gigante nas artes performativas e de repente entregam-se e confiaram na minha proposta. Estiveram comigo o tempo todo e a tentarem desafiarem-se e a evoluírem”, explica o encenador.

“A esta hora, na infância neva” vai estar no Pequeno Auditório do CCB dias 7 e 8 e depois 10 e 11 de dezembro. Domingo às 17h00 e depois segunda, quinta e sexta-feira às 20h00. A sessão de dia 10 conta com audiodescrição.

Depois o espetáculo tem já uma digressão prevista durante o próximo ano. Vai estar no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, nos Açores a 21 de fevereiro; no Theatro Gil Vicente, em Barcelos a 21 de março; no Teatro Municipal de Vila Real a 26 de setembro, no Cineteatro Louletano, em Loulé a 9 de outubro e no Theatro Circo, em Braga a 13 de novembro.

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