05 dez, 2025 - 16:55 • Lusa
A União Internacional de Cinemas (UIC) expressou esta sexta-feira a sua "forte oposição" à compra dos estúdios de cinema e televisão da Warner Bros. Discovery pela Netflix, alertando para o impacto negativo que poderá ter na oferta de filmes nas salas de cinema.
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Em comunicado, a presidente executiva da UIC, Laura Houlgatte, afirmou que, caso se concretize o negócio anunciado hoje, "representará um risco a dobrar".
"Se um estúdio desaparece, isso inevitavelmente significa que os cinemas vão ter menos filmes para exibir às suas audiências, o que leva a uma redução de receita, encerramentos de cinemas e perdas de postos de trabalho na indústria", afirmou, acrescentando que, "de muitas formas, isto é pior do que a compra de um estúdio por outro".
Houlgatte recordou que, "quer nas suas palavras quer nas suas ações, a Netflix tem repetido de forma clara que não acredita nos cinemas e no seu modelo de negócio".
Citado no mesmo comunicado, o presidente do conselho de administração da UIC, Phil Clapp, apelou aos reguladores para que avaliem a operação tendo em conta "os potenciais riscos que o negócio representa" e as eventuais consequências para o setor da exibição de cinema, alertando para um "impacto profundamente danoso para a paisagem cultural da Europa".
"A UIC vai fazer tudo ao seu alcance para tornar esses potenciais impactos – e a sua forte oposição ao negócio – claros para todas as autoridades na Europa e além dela", afirmou Phil Clapp. A organização conta entre os seus membros com a NOS Cinemas e o grupo AMC.
A Netflix vai adquirir o estúdio de cinema e televisão Warner Bros. por cerca de 83 mil milhões de dólares (71,27 mil milhões de euros), incluindo a plataforma de streaming HBO Max, anunciaram hoje as duas empresas em comunicado conjunto.
A publicação especializada Variety classificou o negócio como um momento que vai "refazer de forma dramática o negócio do entretenimento".
Já o Financial Times escreveu que a compra vai transformar a Netflix "no ator dominante de Hollywood", ao acrescentar uma biblioteca de conteúdos atrativa, que inclui as franquias Harry Potter e Batman, o serviço de streaming da Warner Bros. Discovery e a programação premium da HBO.
No mesmo comunicado, a Netflix garantiu que pretende manter as operações atuais da Warner Bros. e "construir sobre as suas forças", incluindo os lançamentos dos filmes em sala.
De acordo com a Variety, a Warner Bros. tem em vigor acordos para lançar filmes nos cinemas até 2029.
O Financial Times sublinha que o acordo está sujeito à aprovação dos acionistas da Warner Bros. Discovery e dos reguladores, estimando-se que o processo fique concluído num prazo de 12 a 18 meses.