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Música eletrónica

Concerto do padre Guilherme com mensagem do Papa em destaque no Washington Post

16 dez, 2025 - 20:52 • Lara Castro

Vídeo com o Papa Leão XIV e o padre Guilherme ultrapassa os 10 milhões de visualizações. O jornal americano contou a história do "padre DJ" que inicialmente recorreu à música electrónica para saldar dívidas paroquiais.

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“Uma catedral gótica, um padre DJ, o Papa”. A combinação improvável tornou-se viral nas redes sociais e levou o nome do conhecido Dj padre Guilherme à imprensa internacional.

O "Washington Post", um dos jornais mais prestigiados do mundo, dedicou-lhe um longo artigo, que conta como o sacerdote da Arquidiocese de Braga se tornou um fenómeno global ao unir fé, música e cultura contemporânea.

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O momento que despertou a atenção do mundo aconteceu na Catedral de Santa Isabel, em Košice, na Eslováquia, durante um concerto, que juntava um festival de juventude e a celebração de aniversário do arcebispo da cidade. Na véspera do espetáculo, o padre Guilherme recebeu a notícia que teria de refazer toda a atuação. O motivo? Tinha de integrar uma mensagem especial em vídeo do Papa Leão XIV que o Vaticano tinha enviado para surpreender o arcebispo.

“Tenho de trabalhar isto para amanhã”, contou o padre português, em entrevista ao jornal norte-americano, por videochamada.

A mensagem em vídeo do Papa Leão XIV surgiu inesperadamente como “ato de abertura” do set do padre DJ. Seguiram-se luzes, sintetizadores e, no final, a batida electrónica. O vídeo correu o mundo e ultrapassou os 10 milhões de visualizações no Instagram, levantando dúvidas sobre se seria real ou criado por inteligência artificial.

Entre a pista de dança e o altar: A vida dupla do padre DJ

Guilherme Peixoto tem 51 anos, é padre desde 2001 e vive em Braga. A sua história, agora contada pelo "Washignton Post", mostra um percurso pouco habitual, mas profundamente enraizado na missão pastoral.

O texto do jornal norte-americano mergulha no passado do padre DJ antes da ordenação sacerdotal e mostra que a ligação à música eletrónica vem de longe. Ainda jovem, frequentava o meio underground do house e do techno, inspirado por artistas como o britânico Carl Cox ou o produtor de Detroit Jeff “The Wizard” Mills.

Mesmo durante o seminário, manteve o hábito de ir a discotecas e integrou uma banda com outros colegas. A maioria acreditava que a música ficaria para trás depois da ordenação, mas o padre tinha uma visão diferente para o seu futuro.

Antes de ser conhecido como “padre DJ”, Guilherme Peixoto já tinha usado a música para resolver problemas: foi através de festas e noites musicais que conseguiu pagar a dívida de uma paróquia na Póvoa de Varzim, transformando um pequeno bar paroquial num espaço de convívio e angariação de fundos. Em três anos, a paróquia tinha liquidado por completo a dívida de cerca de 24 mil euros.

Assumindo-se como um verdadeiro “perfecionista”, o padre decidiu levar a sério o percurso como DJ e procurou formação especializada, inscrevendo-se numa escola no Porto. Já na casa dos 40 anos, viu-se numa sala cheia de alunos bem mais novos, que assimilavam as técnicas com uma rapidez que o surpreendia.

Por vezes, as aulas ficavam em suspenso por causa das responsabilidades sacerdotais. Nessas ocasiões, justificava-se junto do professor: “Faleceu alguém na minha paróquia e tenho de tratar do funeral", revela ao "Washington Post".

Embora ainda não tenha conhecido o Papa Leão, encontrou-se três vezes com o Papa Francisco, numa delas, pediu-lhe que abençoasse os seus auscultadores.

Em agosto de 2023, atuou de manhã para milhão e meio de pessoas na Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, que contaram com a presença do Papa Francisco.

Peregrinos acordam no Parque Tejo ao som do DJ Padre Guilherme
Peregrinos acordam no Parque Tejo ao som do DJ Padre Guilherme

O artigo recorda ainda que esta aproximação entre Igreja e música popular não é nova. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja abriu novas linguagens e formas de expressão cultural. O que muda agora é o palco: festivais, pistas de dança, redes sociais. E é nesse território que o padre Guilherme se move com naturalidade, sem abdicar da identidade sacerdotal — atua frequentemente de colarinho clerical e com o apoio explícito do arcebispo de Braga.

Como o próprio padre DJ resume, citado no jornal norte-americano, a missão é simples: "Desfrutar e a sentir que Deus está presente, está na pista de dança connosco. (...) Quando olho para o público, tenho a sensação de que eles também estão a sentir Deus.”

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