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Investigação

Treinar o cérebro com pensamento positivo pode ajudar sistema imunitário

20 jan, 2026 - 01:17 • Lusa

Autores do estudo treinaram os participantes para ativar uma parte do cérebro relacionada com a recompensa, antes de receberem uma vacina contra a hepatite B. Resultado demonstra possível relação entre a atividade de determinadas vias cerebrais e o sistema imunitário.

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Um estudo com 85 participantes demonstrou que treinar o pensamento positivo tem um "efeito placebo" que pode ajudar a fortalecer o sistema imunitário de forma não invasiva.

Os autores do estudo, cujos resultados foram publicados na Nature Medicine, treinaram os participantes para ativar a área tegmental ventral (ATV), uma parte do cérebro relacionada com a recompensa, antes de receberem uma vacina contra a hepatite B.

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Aqueles que aprenderam a manter uma maior atividade da ATV apresentaram um maior aumento dos níveis de anticorpos após a vacinação, uma descoberta que, segundo os autores, demonstra a possível relação entre a atividade de determinadas vias cerebrais e o sistema imunitário.

Os autores acreditam que, embora sejam necessários ensaios clínicos maiores e mais investigação para confirmar se o pensamento positivo e a atividade da ATV podem ter impacto na saúde imunológica, os resultados podem ser úteis para identificar alvos associados ao efeito placebo em humanos para futuros tratamentos.

A ATV, parte do sistema de recompensa do cérebro, controla a motivação e as expectativas e estudos em animais demonstraram que este sistema pode afetar a imunidade, mas não é claro se esta mesma relação ocorre nos humanos.

Para investigar a relação, uma equipa de cientistas israelitas e norte-americanos, liderada por Nitzan Lubianiker, da Universidade de Tel Aviv (Israel), treinou 85 participantes saudáveis para melhorar a atividade da sua via de recompensa mesolímbica (que inclui a VTA).

Nesta abordagem inovadora, os participantes escolhem estratégias mentais, como recordar uma viagem, enquanto a atividade da via mesolímbica é visualizada simultaneamente através de ressonância magnética funcional.

Os participantes recebem feedback em tempo real sobre a eficácia da sua estratégia mental, o que lhes permite adaptá-las ao longo de várias sessões de treino para alcançar uma maior atividade mesolímbica.

Nas quatro sessões de formação, os participantes receberam a vacina contra a hepatite B.

Os autores realizaram análises imunológicas ao sangue antes e até quatro semanas após a injeção.

Ao analisar o sangue, verificaram que aqueles que aprenderam a manter uma atividade mais elevada da VTA apresentaram um maior aumento dos níveis de anticorpos protetores no plasma sanguíneo contra a vacina.

Observaram ainda que, para manter uma atividade elevada na VTA, as pessoas utilizavam estratégias mentais que envolviam expectativas positivas (um reflexo do efeito placebo).

As descobertas sugerem uma possível relação entre a atividade de vias cerebrais específicas e o sistema imunitário, o que poderá ser útil para identificar alvos associados ao efeito placebo em humanos e para futuros tratamentos, segundo os autores.

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