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Chama-se Linaria almadensis: nova planta endémica descoberta nas arribas do Tejo, em Almada

23 jan, 2026 - 11:04 • Olímpia Mairos

Espécie rara, classificada como "Criticamente em Perigo", só existe nas arribas do Gargalo do Tejo.

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Uma nova espécie de planta, que em todo o mundo só existe nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, frente a Lisboa, foi identificada pelo investigador João Farminhão, do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

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A espécie, designada Linaria almadensis, é endémica destas arribas ribeirinhas e constitui, até ao momento, um caso único a nível mundial. Embora existam registos de colheitas desde 1843, só agora foi formalmente reconhecida e descrita como uma nova espécie, no âmbito de uma revisão taxonómica publicada na revista científica Botany Letters.

O holótipo — exemplar que serviu de referência para a descrição da nova planta — encontra-se conservado no Herbário da Universidade de Coimbra, a maior coleção botânica existente em Portugal.

De acordo com João Farminhão, citado em comunicado, o material foi recolhido “aos pés do Cristo-Rei e em frente ao Mosteiro dos Jerónimos”, ocorrendo exclusivamente em paredões e terraços arenosos das arribas, na proximidade de rochas calcárias. A nova espécie distingue-se de outras semelhantes pelas folhas estreitas e pela coloração particular da flor, com pétalas superiores branco-amareladas, palato amarelo-alaranjado e esporão frequentemente tingido de violeta.

Apesar da relevância científica da descoberta, a situação da Linaria almadensis é considerada crítica. São conhecidos apenas algumas dezenas de exemplares e o seu habitat encontra-se sob forte pressão. A espécie foi classificada como “Criticamente em Perigo”, o nível mais elevado de risco de extinção, segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Para o investigador do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, esta descoberta evidencia o elevado grau de desconhecimento que ainda existe sobre a biodiversidade portuguesa, mesmo em grupos relativamente bem estudados, como as plantas vasculares, e em zonas muito próximas dos grandes centros urbanos e científicos, como as arribas ribeirinhas de Almada.

A identificação da nova espécie coincide ainda com a definição de uma nova área de endemismo vegetal, contribuindo para uma melhor compreensão dos processos de formação de espécies no litoral ocidental da Península Ibérica, fortemente condicionados pela geologia e geomorfologia da região.

João Farminhão alerta também para a necessidade urgente de controlar a proliferação de espécies invasoras nas arribas do Gargalo do Tejo, como as capuchinhas (Tropaeolum majus) e as canas (Arundo donax).

A Linaria almadensis passa agora a integrar o conjunto de cerca de 90 espécies de plantas que, em todo o mundo, só existem em Portugal continental, sublinhando a responsabilidade coletiva na sua conservação.

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