Ciência
Abram alas para a Nabia. Nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em Portugal
26 jan, 2026 - 18:28 • Ana Kotowicz
Uma nova espécie, a Nabia civiscientrix, foi identificada na Lourinhã, em pequenos fósseis com 150 milhões de anos, numa investigação de Alexandre Guillaume.
Imagine-se uma salamandra que conviveu com os dinossauros. Dessa família, a Albanerpetontidae, surge agora um novo género e uma nova espécie: foi batizada Nabia civiscientrix (algo como Nabia, a cientista cidadã), já que os mais de 400 ossos agora descobertos foram recolhidos em Portugal, na Lourinhã, através de um projeto da Rede Ciência Cidadã.
Com uma cabeça mais pequena do que uma moeda de 1 cêntimo, a Nabia civiscientrix tinha menos de cinco centímetros de comprimento. Rastejou pela Terra há 150 milhões de anos, durante o Jurássico, altura em que os dinossauros dominavam o planeta. Mas atenção: esta nova espécie não é um dinossauro, é um anfíbio jurássico e do qual pouco se sabe, já que as investigações costumam olhar com mais atenção para os animais de maior porte.
Segundo o comunicado emitido pela Nova, a história começa durante uma investigação na região da Lourinhã, quando foram recolhidos ossos cranianos isolados e alguns elementos vertebrais e pós-cranianos.
Esses mais de 400 ossos — fósseis com 150 milhões de anos — permitiram à equipa internacional ter uma visão global da anatomia de um misterioso grupo de lissanfíbios extintos: os albanerpetontídeos, que pareciam pequenas salamandras, tinham um sistema de alimentação com língua balística como os camaleões, pele seca e escamosa, garras semelhantes a queratina e pálpebras.
Apesar de a comunidade local ter estado envolvida, os créditos da investigação são do paleontólogo Alexandre Guillaume e foram publicados no Journal of Systematic Palaeontology. Além do investigador da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, a supervisão esteve a cargo de Miguel Moreno-Azanza e de Eduardo Puertolas-Pascal (Universidade de Saragoça), e contou com a colaboração de Marc Jones (Museu de História Natural de Londres) e Susan Evans (University College London).
Ossos raramente encontrados
"Alguns dos ossos mais conhecidos, como os frontais ou as mandíbulas, foram facilmente identificados. Mas, mais tarde, Alexandre Guillaume percebeu que tínhamos uma visão muito mais completa da anatomia com ossos raramente encontrados, como os quadrados ou os ilíacos”, explica Miguel Moreno-Azanza, citado no comunicado.
Os restos mais bem preservados foram enviados para Londres para serem submetidos a uma microtomografia computadorizada. Além disso, os fósseis da Lourinhã foram também comparados com os dos leitos de Guimarota, também em Portugal, e também com a mesma idade.
“O material de Guimarota é conhecido há muito tempo”, explica Alexandre Guillaume, citado no mesmo comunicado. “Sabíamos que era uma nova espécie, que sempre foi considerada como tal por outros paleontólogos. Mas o nosso estudo anterior sobre a parte frontal desafiou a atribuição original ao género Celtedens. Por isso, tivemos de aprofundar a investigação”.
Até há pouco tempo, a investigação concentrava-se num conjunto limitado de ossos facilmente reconhecíveis, já que não existiam espécimes completos. Muitos ossos não foram sequer identificados.
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Agora, a partir das novas observações aliadas aos espécimes já conhecidos, os investigadores propuseram um novo conjunto de dados morfológicos para análises futuras, implementando novas características e atualizando as anteriores, o que constitui um dos principais resultados deste trabalho, diz a Nova no seu comunicado
“Convido todos a olharem mais atentamente para estes pequenos ossos, muitas vezes ignorados, para que possamos compreender melhor, em conjunto, o que eram estes pequenos anfíbios. Este é apenas o primeiro passo”, conclui Alexandre Guillaume.
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