Ouvir
  • Noticiário das 15h
  • 16 mai, 2026
A+ / A-

Correntes d’Escritas

Correntes d’Escritas mudam de nome para “Casa” em homenagem a Laborinho Lúcio

25 fev, 2026 - 12:13 • Maria João Costa

Abriu esta quarta-feira, na Póvoa de Varzim, o Festival Literário Correntes d’Escritas. A 27.ª edição começou com uma homenagem a Álvaro Laborinho Lúcio e ao fundador do evento, Francisco Guedes. Este ano sem atribuição do prémio principal, devido à falta de apoio, o evento homenageia também o jornalista e poeta José Carlos Vasconcelos.

A+ / A-

Este ano o Festival Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, inaugurou sem a habitual atribuição do Prémio Literário. Em causa a falta de apoio do Casino da Póvoa que tem existido nos últimos anos. O fim da concessão de jogo, para a qual alertava no ano passado a direção do Casino fez com que este ano o prémio fosse suspenso.

Na sessão de abertura, esta quinta-feira, no auditório do Cine-teatro Garrett o jornalista e poeta, José Carlos Vasconcelos, um dos homenageados da edição 27.ª edição, alertou para a “situação do Casino da Póvoa”.

“Espero que quem venha a ser o concessionário do casino tenha a visão de continuar” a apoiar este prémio, referiu José Carlos Vasconcelos que, ao lado da autarca da Póvoa, Andreia Silva, disse acreditar “que a câmara tudo fará” para manter o prémio. “A idade é um património moral” lembrou, o antigo diretor do Jornal de Letras que deixou o repto para se “preservar” a amizade que marca o festival.

Nesta cerimónia que teve como cicerone Manuela Costa Ribeiro, a chefe de divisão da cultura da autarquia propôs a mudança de nome este ano do evento. Em homenagem a Álvaro Laborinho Lúcio, que morreu no ano passado e que era presença habitual nos últimos anos no festival, o Correntes d’Escritas este ano passa-se a chamar “Casa”, numa clara referência ao antigo magistrado que assim se referiu ao festival, no ano em que proferiu a sessão de abertura.

Na cerimónia onde a escritora Raquel Patriarca fez um emocionada homenagem a Francisco Guedes, um dos fundadores e impulsionadores do Festival Correntes d’Escritas que morreu no ano passado, foram ainda anunciados os vencedores dos outros prémios que marcam o evento.

O Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus atribuído anualmente a jovens entre os 15 e 18 anos e que pretende ser um “estímulo para a escrita”, como referiu Manuela Costa foi atribuído ao conto “A cronista de um vazio interior” de Ana Rita Gouveia Paiva que se candidatou com o pseudónimo Almalivre.

Já o Prémio Literário Luis Sepúlveda foi atribuído ao texto “A caixa das Emoções” do 4.º ano da Escola Básica de Rates, da Póvoa de Varzim. Foram também distinguidos os textos “Desenhos de Peluche” do 4.º C do Agrupamento de Escolas Dr. José Leite de Vasconcelos, de Tarouca e “Luís e o xadrez da amizade”, do 4.º G do Agrupamento de escolas de Gondifelos, de Famalicão

Neste prémio foram também atribuídas duas menções honrosas na área da ilustração e outra na categoria de texto. “História de um veado e do lobo que o ajudou” do 4.º A RO do Polo Escolar de Rossas de Arouca. Na ilustração, foram distinguidos “Um verão muito trágico” do 4.º do agrupamento de Escolas Gomes Teixeira de Armamar e “O menino que não sabia pensar” do 4.º A do Agrupamento de Escolas Dr. José Leite de Vasconcelos de Tarouca.

Foi ainda conhecido o Prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’Escritas que atribuído por unanimidade à obra “As ondas do ser” da autoria de Zina Maria Neves Gomes de Abreu, do Funchal.

Na cerimónia que encerrou com o discurso da nova autarca da Póvoa de Varzim a tónica foram as ameaças à democracia e a defesa da leitura e da escrita. Andreia Silva questionou o auditório: “A quem convém o desconhecimento da história?”.

A autarca afirmou: “Recuso-me a aceitar um mundo onde o pateta da aldeia se generalizou. Não quero mundo formatado por imbecis”, disse citando o escritor Umberto Eco.

“Quero um mundo onde os livros e os autores continuem a dar capacidade para repensar o futuro, onde exige uma capacidade de discernimento”, sublinhou a presidente da câmara. Lembrando as “ferramentas de que dispõem os inimigos da democracia”, Andreia Silva lembrou a importância de autores e leitores e o papel que a leitura tem em capacitar consciências.

Ouvir
  • Noticiário das 15h
  • 16 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque