Abelhas europeias em risco: 10% das espécies estão ameaçadas de extinção
27 fev, 2026 - 10:43 • Olímpia Mairos
Das 171 espécies ameaçadas na Europa, 67 ocorrem em Portugal, o que representa 9% da fauna nacional de abelhas.
As abelhas selvagens europeias enfrentam um agravamento preocupante do seu estado de conservação, com 10% das espécies ameaçadas de extinção, segundo a segunda avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias, conduzida pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
O relatório conta com a participação do investigador Hugo Gaspar, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, integrado no Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet.
Especialista em taxonomia, ecologia e conservação de abelhas selvagens em Portugal, Hugo Gaspar contribuiu para uma avaliação que revela um aumento significativo do conhecimento científico sobre estas espécies, mas também uma deterioração clara do seu estatuto de conservação à escala europeia.
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De acordo com o novo relatório, 171 das 1.928 espécies avaliadas estão ameaçadas, mais do que o dobro das 77 identificadas em 2014, quando foi realizada a primeira análise. Um dos principais avanços desta segunda edição foi a redução expressiva das espécies classificadas como “Dados Insuficientes”, que passaram de 57% para 14%, tornando esta a avaliação mais abrangente alguma vez realizada sobre as abelhas selvagens europeias.
Entre os grupos mais afetados estão os abelhões (género Bombus) e as abelhas dos géneros Colletes e Dasypoda, espécies-chave para a polinização de plantas silvestres e culturas agrícolas, essenciais para a sustentação dos ecossistemas e da produção alimentar.
Das 171 espécies ameaçadas na Europa, 67 ocorrem em Portugal, o que representa 9% da fauna nacional de abelhas (747 espécies). Entre as 25 espécies “Criticamente em Perigo” à escala europeia, apenas uma ocorre em território nacional: o Epéolo-de-faixas (Epeolus fasciatus), uma abelha-cuco que parasita espécies do género Colletes.
“Este documento é mais uma prova do aumento do conhecimento, ainda que limitado, resultante do investimento que tem sido feito no estudo das abelhas na Europa nos últimos anos”, afirma Hugo Gaspar, investigador do Departamento de Ciências da FCTUC, citado em comunicado.
O investigador sublinha a importância do contexto geográfico na avaliação do risco: “É importante compreender que o nível de ameaça depende do contexto geográfico e neste documento é recomendada a criação de listas vermelhas nacionais específicas de abelhas selvagens, ainda inexistentes em Portugal.”
“Uma espécie pode não estar ameaçada à escala europeia e estar ameaçada à escala nacional, ou vice-versa — e isso tem implicações diretas na conservação nacional das abelhas”, acrescenta.
Na FCTUC e no FLOWer Lab decorrem vários projetos de investigação e ação dedicados à conservação das abelhas selvagens e de outros polinizadores, incluindo o doutoramento de Hugo Gaspar, o projeto PolinizAÇÃO (Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores em Portugal), o ARCADE (melhoramento das coleções de referência nacionais) e o projeto europeu BeeConnected SUDOE, focado no restauro ecológico de habitats.
A Lista Vermelha identifica ainda como principais ameaças a intensificação agrícola, as alterações climáticas, a perda e fragmentação de habitats, as espécies invasoras e a poluição, apontando como prioridades a proteção e restauro de habitats, práticas agrícolas favoráveis aos polinizadores, reforço da monitorização e investigação e a integração da conservação das abelhas nas políticas públicas.
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- 20 mai, 2026








