A nova “sempre nunca igual” Renascença
"A Renascença já não é dois R, são múltiplos R"
04 mar, 2026 - 06:00 • Fábio Monteiro
Renascença apresenta esta quarta-feira uma nova identidade visual e sonora. Marca elimina um “R” no logótipo e assume presença multiplataforma. Administração fala numa evolução que reforça modernidade e maturidade.
Quem em Portugal não conhece a mais jovem nonagenária da banda FM? Quem não sabe que ela também anda, há quase três décadas, pelos terrenos do digital? Então, para quê as formalidades? Entre velhos conhecidos, dispensam-se os dois nomes: desta quarta-feira em diante, para a Rádio Renascença (RR) basta: Renascença.
A emissora Católica Portuguesa, fundada em 1936, apresenta esta quarta-feira uma identidade renovada - novo logótipo, nova sonoridade e nova frase de estação -, mudanças que servem, entre outros fins, para colocar “o acento tónico na modernidade” e “maturidade” da marca.
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“Numa época de opacidade, os valores da Renascença são claros e confiáveis. A clareza editorial desses valores reforça a independência com que nós somos escutados e vistos”, diz José Luís Ramos Pinheiro, administrador do Grupo Renascença desde 2003.
Com “inconformismo” e sem nunca perder a sua “visão humanista”, a Renascença “sempre acompanhou a vida de gerações de portugueses ligados aos nossos conteúdos e às nossas propostas”. Estabeleceu, assim, uma relação de “proximidade” já de longa data com ouvintes e leitores. Uma relação de quem se trata por tu.
Essa proximidade que está patente, desde logo, no novo logótipo do canal que perde, pela primeira vez, um R. (Há 20 anos que, salvo pequenos retoques, não mudava.) Uma renovação histórica na iconografia do canal, mas que não acontece no vazio.
“Perdermos um R significa que ganhamos uma dimensão muito maior. Porque hoje a Renascença, em boa verdade, já não é dois R, são múltiplos R. É Renascença rádio, Renascença digital, Renascença vídeo, Renascença podcast, Renascença redes, Renascença, muita Renascença. Ou seja, nós hoje somos uma rádio total. Somos uma marca 360”, explica Pedro Leal, diretor-geral de Produção da Renascença.
Mais do que uma “revolução”, trata-se de uma “evolução”, defende José Luís Ramos Pinheiro. Mesmo tendo “muitos conteúdos poderosos em FM”, o canal opera hoje em várias dimensões fora de antena.
“O perder de uma forma assumida a palavra rádio significa que a Renascença cresceu, não perdeu, cresceu, evoluiu, aumentou, dinamizou-se. É essa transformação e é essa evolução que fica agora de uma forma mais clara, talvez permanente aos olhos de todos”, aponta.
“Sempre nunca igual”
A nova frase de estação – “Renascença, sempre nunca igual” –, que pode soar a quebra-cabeças, segue o mesmo racional. Pretende sinalizar uma continuidade do espírito da emissora. E obrigar os ouvintes e leitores a parar para pensar.
“Sempre é Renascença de sempre. Ou seja, nós não temos problema com a nossa identidade. Nós somos uma rádio que tem princípios, tem valores, tem uma identidade e nós estamos confortáveis com essa identidade. Mas também é nunca igual, ou seja, nós temos o dever de sermos irrequietos”, defende Pedro Leal.
Para os puristas linguísticos, nota-se: a opção de suprimir a vírgula na frase não resulta de um descuido. “A falta dessa vírgula não é um erro, é um propósito. A ideia é dar liberdade às pessoas para cada um construir o 'sempre nunca igual' com mais entoação, menos entoação, mais silêncio, menos silêncio. Cada um constrói a Renascença à sua maneira”, explica o diretor de informação.
Nos dias que correm, sublinha ainda José Luís Ramos, as frases de assinatura têm de ser “alguma coisa de poderoso”, não cair em “mais do mesmo” e devem “levar de facto as pessoas a pensar”.
“A frase, ‘Renascença, sempre nunca igual’, faz-nos pensar, ancora-nos nos valores matriciais da Renascença, mas declinados, desenvolvidos, apresentados de uma forma criativa, inovadora, surpreendente”, diz.
O intocável
Em 90 anos, a Renascença trilhou um longo caminho. Fez história com muitos programas informativos e de entretenimento. Deu um contributo importante para a revolução de Abril de 1974. Viveu o PREC na primeira pessoa. Nos anos 90, foi um dos primeiros órgãos de comunicação nacional a juntar no mesmo website, texto, imagem e som. Por estes dias, é casa do podcast mais ouvido país.
“Se nós olharmos para a história da Renascença, vemos que de geração em geração, os seus responsáveis e as equipas, todos eles, ao longo do tempo, em cada momento, foram disruptivos, marcaram”, nota Pedro Leal.
Há mudanças, mas também há território intocável. Por exemplo: o nome. “Nós estamos quase a entrar nos 90 anos da Renascença e não se muda o nome a alguém que tem 90 anos. [Risos] E esta é uma marca que toda a gente conhece, que muitas gerações cresceram com ela, quando se tem 90 anos. O que nós estamos hoje a dizer é olhem para nós, vejam o caminho que a gente já fez e experimentem”, diz.
Mais a mais, para a Renascença, a idade e a experiência não são um peso, defende José Luís Ramos Pinheiro. São, antes, um trunfo.
“A Renascença tem os seus valores permanentes, que são os valores da Igreja Católica, dos quais obviamente não abdicamos. Agora, esses valores são para nós não um peso, mas um trunfo. São a capacidade que nós temos para não fingirmos que somos humanistas, somos mesmo humanistas. Não temos de fingir que estamos próximos das pessoas, somos mesmo próximos das pessoas. Não há, digamos, um outro intuito, um outro truque aqui por trás. Não, a nossa vocação é esta, a nossa missão é esta. E fazemo-lo de acordo com aquilo que são os instrumentos necessários em cada época. Sempre foi assim.”
- Noticiário das 11h
- 20 mai, 2026









