Ouvir
  • Noticiário das 19h
  • 14 abr, 2026
A+ / A-

Presidência da República

Retrato oficial. Marcelo volta a "quebrar o protocolo"

04 mar, 2026 - 23:20 • Ariana Cruz

Da autoria do artista Vhils, o retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa foi apresentado esta quarta-feira. Apesar de ser o primeiro a fugir à clássica pintura a óleo, Francisco Teles da Gama diz que esta "quebra do protocolo" já tinha acontecido.

A+ / A-

"A quebra do protocolo não é algo novo na presidência de Marcelo Rebelo de Sousa”. O historiador de Arte Francisco Teles da Gama comenta assim o retrato oficial do Presidente da República cessante, da autoria de Alexandre Farto (VHILS), que foi apresentado esta quarta-feira no Museu da Presidência.

O artista VHILS utilizou na obra páginas de jornais internacionais e nacionais, com notícias dos últimos 10 anos relacionadas com a presidência e a atualidade em geral e Marcelo rompe novamente com o tradicional.

“Esta quebra do protocolo já tinha acontecido quando Júlio Pomar pintou o retrato do seu amigo Mário Soares”, recorda o historiador Francisco Teles da Gama, em declarações à Renascença.

E se for tido em conta o autor do retrato, Paula Rêgo também inovou quando retratou Jorge Sampaio.

Contudo, Francisco Teles da Gama refere que esta “quebra do protocolo não é algo novo na presidência de Marcelo Rebelo de Sousa”, fazendo referência à fotografia oficial do Presidente, em 2016, em frente à Baía de Cascais.

“As fotografias eram tiradas, normalmente, no interior dos edifícios oficiais da Presidência da República, principalmente, no Palácio de Belém. Neste caso, a fotografia é captada na Baía de Cascais e isto também nos mostra um Presidente ligado às pessoas”, acrescenta Francisco Teles da Gama.

Será, então, o retrato oficial um espelho do mandato?

Durante largos anos, os retratos seguiram o mesmo estilo, tornando-se “demasiado oficiais e quebrando a essência do mandato ou dos mandatos do Presidente da República”, refere Francisco Teles da Gama.

Mas, a partir do retrato oficial de António Ramalho Eanes da autoria de Luís Pinto Coelho, os retratos começam a poder ler-se de outra forma.

“No retrato de Mário Soares, vemos uma pessoa próxima, em constante movimento, conversadora, dialogadora. No caso de Jorge Sampaio, reparamos que temos uma artista mulher que também representa o busto da República no próprio retrato. No caso do Ramalho Eanes, há papéis desconexos, há uma grande confusão. Passa a mensagem de que Ramalho Eanes precisava de pôr o país em ordem, de trazer uma estabilidade”, argumenta.

Agora, com Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Teles da Gama acredita que “toda a exposição mediática e a comunicação constante do Presidente” fazem do retrato com recortes de jornais uma “escolha certeira de Vhils”. Por outro lado, não é certo que esta decisão de romper com o que é tradicional e esperado se mantenha daqui em diante.

“Normalmente, as mãos são representadas por uma questão de atividade”, refere o historiador de arte, mas quer “na fotografia oficial, como agora no retrato elas não constam”, temos apenas o rosto do Presidente a olhar para algum lado, e isto também é uma mensagem: “Gosto de pensar que é um olhar fitado no futuro", remata o historiador.

VHILS trabalhou seis meses no retrato oficial

Ao longo de seis meses, VHILS trabalhou na criação do retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa, no Barreiro, local onde se situa o estúdio do artista.

Um processo de criação que combinou investigação, experimentação formal e sucessivos momentos de reflexão e ajuste, como é possível ler no comunicado do atelier.

Durante este período, o Presidente da República e a diretora do Museu da Presidência, Maria Antónia Matos, visitaram o estúdio de VHILS, acompanhando de perto o processo de criação do artista.

Ao contrário dos retratos dos anteriores Presidentes da República, este não é uma pintura a óleo, mas uma obra criada através de jornais nacionais com notícias marcantes dos últimos 10 anos da vida política e social portuguesa.

No comunicado, pode ler-se que as folhas foram manualmente sobrepostas e posteriormente trabalhadas por subtração, através de escavação manual, até ao momento em que emergissem camadas acumuladas.

Tornou-se um hábito os Presidentes da República publicarem o retrato oficial apenas no fim do mandato, mas esse foi o único elemento que Marcelo Rebelo de Sousa adotou de retratos anteriores ao seu.

Desde Manuel de Arriaga a Aníbal Cavaco Silva, Portugal conta com 18 presidentes da República que, no seu retrato, mantiveram praticamente o estilo, salvo algumas exceções - como Mário Soares.

Ao escolher VHILS, um artista urbano português reconhecido internacionalmente, o Presidente da República marcou desde logo uma expectativa no que poderia vir a ser o seu retrato oficial – e não falhou. “Há uma certa irreverência de Marcelo em trazer um artista de street art para a Galeria. E isso, sim, é uma quebra de protocolo”, comenta o historiador de arte Francisco Teles da Gama à Renascença.

Ouvir
  • Noticiário das 19h
  • 14 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque